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Editorial

Descontrole nas finanças pessoais

30/11/2018 às 07:08
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Viver endividado nem sempre é apenas resultado da crise econômica que persiste há vários anos no País. É frequente que o problema também esteja na falta de habilidade financeira do próprio consumidor, que acaba se atrapalhando com a gestão de seus recursos, caindo em armadilhas que resultam nas famosas “bolas de neve”. Dados do SPC mostram que 80% dos endividados brasileiros são reincidentes, isto é, já estiveram na condição de negativados, conseguiram quitar as dividas, mas perderam o controle das finanças novamente logo em seguida. O prazo entre o fim de uma dívida e nova situação de inadimplência é pouco maior que três meses, segundo apurou o SPC.

O pior é que o maior nível de reincidência ocorre exatamente na região Norte do País. Enquanto acontece um crescimento na recuperação de crédito nas demais regiões do País, o Norte fica na contramão, registrando aumento na inadimplência. No Sudeste, 19,5% dos que estavam negativados em outubro já limparam seus nomes na praça e estão prontos para as compras de final de ano (com responsabilidade, espera-se). Na sequência estão Centro-Oeste (16%), Nordeste (7,6%) e Sul (2,5%). Já no Norte, houve queda de 5,8% no volume de pessoas que conseguiram quitar suas dívidas.

Como reverter essa difícil situação? Uma velha sugestão defendida por economistas é a inclusão da educação financeira no currículo escolar. Enquanto governos se preocupam com pautas conservadores que apenas intimidam professores, temas que realmente importam, como a educação financeira dos estudantes, poderiam ser seriamente discutidos com intuito de formar cidadãos capazes de administrar bem suas próprias finanças.

Enquanto o tema não é abordado com seriedade nas escolas, o SPC recomenda ao consumidor endividado que estude, avalie e planeje uma proposta de pagamento adequada à sua situação. A instituição chama a atenção também para a importância de uma boa renegociação. Muitas vezes o consumidor aceita os termos sem observar que o prazo para quitação será bem longo, o que retarda o total reequilíbrio das finanças pessoais. Outro aspecto fundamental é que, uma vez resolvida a pendência, o consumidor busque ajuda para superar suas dificuldades e avalie muito bem a necessidade de cada despesa.