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Editorial

Desencontros elevam grau de problemas

11/01/2019 às 08:41 - Atualizado em 11/01/2019 às 08:50
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Os casos de desencontro de informações contaminam os primeiros dias do Governo de Jair Bolsonaro. Se a conduta é parte das estratégias dos assessores governamentais, a proposta ocorre em um limite extremo que poderá vir a se constituir em um volume significativo de problemas ao novo governo. São várias as razões, uma delas é que algumas das áreas envolvidas nas declarações que confirmam medidas e, em seguida, por desmentidos que tentam explicar o teor das falas oficiais, são sensíveis e jogam função de relevância na máquina administrativa.

A mais recente medida, a suspensão da proposta de reforma agrária, anunciada há dois dias, por diferentes mídias foi, ontem, considerada um erro ou equivoco pela direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A reforma agrária é, no Brasil, uma das questões centrais, com profunda repercussão  na sociedade brasileira e em torno da qual atuam interesses dispares que passam pelo histórico do País em beneficiar latifúndios improdutivos e arrastar processos que garantissem terra a milhares de brasileiros sem ter onde viver e produzir seu sustento.

As páginas da história brasileira nesse item são marcadas por confrontos sangrentos e muitas mortes violentas. O Estado, por décadas, adotou conduta de apoio à violência e assassinatos no campo na medida em que se omitiu. Reconhecer que este é um assunto delicado e assim tratá-lo deveria ser, por parte da equipe governamental, uma atitude que denotasse sensatez e responsabilidade, considerando o efeito de posicionamentos recentes que espalharam pólvora nesse meio. Ao deixar escapar, como notícia nacional e mundial, que a reforma agrária estava no Brasil, o governo também deixa evidente a disposição pelo confronto e anima a retomada dos enfrentamentos que geraram uma série de assassinatos motivados pela disputa de terra.

Corrigir o percurso da informação e da notícia é um dever tanto do governo, como nesse caso, quanto dos profissionais de comunicação, quando erraram. Isso já está estabelecido em legislação e nos protocolos internacionais de defesa dos direitos das pessoas. De qualquer forma, a confusão  entre a informação anterior e a informação atual e o que efetivamente vale está criada e afeta a vida dos brasileiros diretamente provocando repercussões cujo alcance ainda estão se dando. A comunicação governamental necessita ter interlocução mais transparente para que o próprio governo não venha ser vítima da estratégia criada.