Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
Editorial

Desenvolvimento e diálogo


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31/10/2019 às 07:25

A proposição de incentivar de fato o diálogo no tratamento das questões da Amazônia se tornou uma necessidade da qual líderes políticos com algum nível de sensatez não podem abrir mão. Aliás, a indisposição para tratar desses temas de forma mais ampliada é uma das marcas das ações pensadas para a região e, em parte, responsável pelo desastre de muitas delas.

O saldo da 1ª Cúpula dos governadores da Pan-Amazônia é, nessa perspectiva, positivo por se situar como espaço de interlocução, aproximar os governadores dos países dessa região e identificar possibilidades para elaborar, da melhor forma, uma pauta panamazônica comum. Todo esforço que for feito em nome de um diálogo que resulte de programas e intercâmbio é bem-vindo à Amazônia. Os problemas porque passam os povos da Pan-Amazônia e os desafios que representam às administrações públicas, ao legislativo e ao judiciário poderão ter outras leituras e soluções se houver diálogo e a formulação de propostas feitas como resultado dessas conversações.

Não é a Amazônia ou a Pan-Amazônia que são responsáveis pelos problemas a elas atribuídos com frequência, por autoridades governamentais. A região, ao contrário, é uma possibilidade de resolução de problemas desde que tenha a sua especificidade conhecida e respeitada. A cúpula de governadores poderá vir a se apresentar como uma posição de reanimação dos encontros que tratam da Amazônia, de apreender as experiências vivenciadas e intercambiá-las. Superar o tempo dos projetos pensados externamente e de cima para baixo é uma reivindicação das sociedades dessa região, ao mesmo tempo em que se mobilizam historicamente para serem tratadas pelo viés do respeito às diferenças que trazem com elas.

Aos governadores que participaram da cúpula, na última semana, fica a responsabilidade de levar adiante as decisões nela tomadas. O protocolo está assinado, resta saber quais governadores estarão dispostos a levar adiante a proposta e coloca-la em debate junto aos diferentes públicos da Amazônia. A região está sob pressão político-econômica aguda e, se não forem alteradas as condutas, ela se tornará mais uma vez palco de inúmeros conflitos, tragédias, mortes. O desenvolvimento da Amazônia e da Pan-Amazônia exigem respostas que estão vinculadas ao entendimento de uma ecologia integral e não nos grandes projetos e nas explorações desenfreadas dos recursos naturais desses territórios.   


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