Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
Editorial

Desenvolvimento humano em baixa


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10/12/2019 às 08:42

A classificação do Brasil no ranking de desenvolvimento humano indica o tamanho do peso e da consequência das atitudes governamentais no que diz respeito à superação da desigualdade na sociedade brasileira. O país, no relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que produz um panorama mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), piorou embora alguns analistas apontem para a estagnação.

O indicador mostra que o Brasil está em 79º lugar na classificação feita entre 189 países. Perdeu um ponto nessa escala. Com bases nos dados coletados em 2018, o documento “Além da renda, além das medidas, além do hoje: desigualdades no desenvolvimento humano no século XXI”, divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) funciona como um termômetro internacional dos avanços e retrocessos no desenvolvimento humano a partir da avaliação das desigualdades nesse conjunto de nações e tem por finalidade apresentar um elenco de recomendações de políticas públicas que podem agir para superar o subdesenvolvimento das pessoas e dos lugares onde vivem.

No conjunto das medidas, um dado aparece entrelaçado aos demais que estão afeitos a uma planilha de direitos e de acessos a serviços básicos. É o da violência generalizada que assume contornos mais pesados a partir do lugar de vida das pessoas. Não ter acesso a água em condições de consumo humano, não ter moradia digna, não ter direito a três refeições por dia, não ter acesso a atendimento integral à saúde; ter sua cultura rejeitada e desqualificada, ser vítima diária da violência doméstica e institucional são outros fatores que afetam profundamente a condição do desenvolvimento humano.

É nesse quadro que estão inseridas as populações do Brasil e, por consequência, o próprio país detentor de um dos mais elevados índices de desigualdade socioeconômica do mundo. A questão é que as políticas do atual governo brasileiro não consideram esses aspectos, ao contrário, têm suas bases no entendimento de que deve reduzir a presença do Estado e aumentar a participação de setores privados, o que implica diretamente em estabelecer preços de acesso aos serviços que esses setores passarão a explorar. Em país com tamanha desigualdade, esse caminho aponta para aprofundar o fosso entre ricos e pobres e aumentar a violência.


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