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Editorial

Desequilíbrio ambiental

04/09/2016 às 09:01
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Pode soar catastrofista, mas a humanidade precisa encontrar uma forma de conviver de maneira harmônica com o meio ambiente se quiser garantir um planeta saudável para as próximas gerações. A mesma tecla vem sendo batida há muitas décadas, desde que a questão ambiental começou a ser discutida com mais seriedade. As pessoas concordam, acham que é isso mesmo, que todos e cada um devem fazer sua parte etc e tal. Mas a coisa não sai do discurso, não avança para iniciativas práticas. 

Em Manaus, por exemplo, convivemos com diversas situações de agressão ambiental que se perpetuam sem que nada seja feito. É o caso da poluição dos igarapés de cortam a cidade. A existência dos cursos d’água - se devidamente preservados - poderia ser um atrativo turístico e elemento de bem-estar para a população. Em vez disso, são esgotos a céu aberto habitados por jacarés doentes de tanto comer lixo, com estômagos cheios de plástico. Uma situação realmente triste. Cortada por centenas de igarapés, a capital amazonense abriga aproximadamente de um a dois crocodilianos por quilômetro. São habitantes de Manaus, assim como nós e já estavam por aí muito antes do crescimento desordenado da cidade desfigurar completamente seu habitat natural. 

São animais doentes, com problemas hormonais e reprodutivos, resultado da sobrevivência em um ambiente modificado pela ação humana. Mesmo assim, o jacaré continua nos prestando importantes serviços, uma vez que se alimenta do perigoso caramujo africano e de ratos que infestam as áreas extremamente poluídas que habitam. 

Um dia, espera-se, a despoluição dos igarapés de Manaus será posta na lista de prioridades do poder público; a população terá educação suficiente para não despejar lixo nos cursos d’água; ninguém vai construir casebres em áreas de proteção e Manaus terá uma convivência aceitável com o meio ambiente. Enquanto esse dia não chega, uma boa medida seria fazer valer a legislação ambiental que já existe. A lei pune fábricas que descartam resíduos industriais na natureza. Mas basta olhar os igarapés que atravessam o Distrito Industrial. Eles  apresentam um cheiro terrível de produtos químicos, e uma assustadora espuma que não deixa dúvidas sobre a poluição absurda. Quem é o responsável? Será punido? Quem deveria punir? Por que não pune? Um dia, quem sabe.