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Editorial

Desequilíbrio sem fim

07/03/2017 às 22:46
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A injustiça em relação às mulheres se faz presente nas mais diversas esferas, seja familiar, no trabalho ou na vida social. Tal injustiça está manifesta em números. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que a jornada de trabalho das mulheres é 7 horas e meia maior que a dos homens. Isso considerando a dupla jornada feminina. Mais de 90% das mulheres que estão no mercado de trabalho acumulam também a responsabilidade dos afazeres domésticos, contra em torno de 50% dos homens.

Além de trabalhar mais, as mulheres também têm crescido no papel de chefes de família. Atualmente, 40% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Há 20 anos, esse índice era de apenas 23%. A rotina que se impõe às mulheres é diferenciada; é justo que o tratamento dispensado a elas também seja. Era isso que o legislador tinha em mente quando estabeleceu, na Constituição de 1988,  a idade mínima de 60 anos para a aposentadoria das mulheres. É por essa razão também que a reforma da Previdência, em discussão no Congresso Nacional precisa ser muito bem debatida.

O texto atual da reforma, prevê idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, como se as condições de trabalho fossem iguais entre os gêneros. Mas as diferenças não podem ser ignoradas para que as mulheres não sejam ainda mais penalizadas. Elas já sofrem com salários menores - mesmo no desempenho da mesma função que os homens -, jornada maior - como demonstrado pelo Ipea -, isso sem falar nos casos de assédio sexual e moral.   

O que ocorre na Zona Franca de Manaus é um triste exemplo. Em tempos de recessão, a indústria reduz a mão de obra feminina nas linhas de produção. Segundo dados da Suframa, a participação das mulheres encerrou 2016 em 27,9% do total. Historicamente, a participação é de 30% e já chegou a 33,7% em 2014. Os motivos para isso são os mais diversos e o quadro vem se agravando.

 Especialistas concordam que as origens do desequilíbrio em relação ao tratamento dado às mulheres são antigas e profundas, de modo que mudanças não podem ocorrer de uma hora para outra. É questão de evolução cultural; um nível de conscientização que depende de progresso em diversas áreas, inclusive na educação. Avanços vêm ocorrendo nas últimas décadas, mas a sociedade precisa caminhar a passos mais largos rumo a um mundo mais justo.