Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Editorial

Desigualdade como marca governamental


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20/11/2019 às 09:51

O Brasil que ora se expressa em números da desigualdade é o mesmo que tenta se afirmar pelo discurso da convivência cordial, do não racismo e da não discriminação. Os números que acabam de ser expostos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram o quanto o país é desigual e a dificuldade, enorme, erguida por séculos de políticas governamentais para manter os indicadores de desigualdades como referência da vida nacional.

 Os bolsões de miséria numa mesma cidade em contraste com os redutos ricos apontam escancaradamente o vigor dessa conduta que busca manter como normal o que deveria ser repelido, enfrentado e resolvido. Os estudos sobre indicadores socioeconômicos têm entre outras funções a de gerar subsídios que sejam responsavelmente utilizados pelos governos, as instituições e a sociedade civil organizada na direção de resolver os problemas apresentados.

Se em uma cidade há áreas que permanecem em situação de miséria e outras detentoras de riqueza econômica, existe uma distorção que faz mal tem todos os sentidos e tende a se tornar uma bomba pronta a explodir a qualquer momento. São pessoas vivendo com medo, atormentadas, estressadas, e, nessa corrente, mantêm a violência como regra de vida tanto para os que estão mais protegidos quanto para aqueles completamente desprotegidos. Todos se tornam, em escala maior ou menor, vítimas do mesmo mal.

Em exposição, estão os números que desdobrados falam de como o Brasil voltou atrás na caminhada para enfrentar o processo de exclusão a que milhares de brasileiros foram submetidos. O País encerrará o ano de 2019 com um saldo ruim dos números da desigualdade em ritmo de crescimento, e, também com um entendimento de que a prática autoritária na qual a violência se escuda é o remédio para todos os males. Nessa direção, torna-se muito mais difícil formular saídas mais justas e honestas como propostas governamentais que a partir do poder central possa ser ampliada e seguida em nível estadual e municipal.  

O tipo de arranjo que está sendo feito para consertar setores do País é o mais delicado e carrega uma carga explosiva. Desempregados, trabalhadores subempregados, famintos e desesperançados formam uma força explosiva e, em si, denunciam a nova cara do descaso que está em curso.

Foto: M. Abondanza 


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