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Editorial

Desigualdade educacional

11/10/2017 às 21:44
Show fundeb

O Brasil é o País socialmente mais desigual do mundo, com seis pessoas apenas detendo a mesma quantidade de riqueza que outros 100 milhões e isso acontece muito por conta da mais brutal ainda desigualdade educacional.

 Os números da educação, em que pese terem melhorado significativamente nos últimos anos, são vergonhosos. De cada dez alunos brasileiros que iniciam o jardim da infância menos de 1 vai concluir o ensino superior, sendo a maior parte absorvida pelo trabalho infantil ou pelo vil mundo do crime, ao qual entram pela ação dos traficantes.

Ontem, um estudo mostrou que entre 2015 e 2021 ao menos 49 mil crianças e adolescentes vão morrer vítima de homicídios, um número que nos chama para  reflexão sobre o que estamos fazendo com o futuro da nação.

Longe a matemática fria dos números há ainda o colossal fracasso da educação formal, com escola pessimamente equipadas, com professores mau remunerados e sem condições de acesso a formação mais apurada e modernizante.

Tudo isso forma um caldo que não apenas reproduz, mas faz aumentar a distância entre os mais ricos e os mais pobres.

Um dos problemas cruciais nessa equação estava na falta de verbas específicas para manter toda a rede de ensino e foi aí que o Estado Brasileiro, meio que emulando o Sistema Único de Saúde, criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da  Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o agora famosíssimo Fundeb. Por este fundo a União destina recursos para estados e municípios aplicarem na resolução dos problemas que nos levam à breca neste setor, mas muitas prefeituras, a de Manaus incluída, fizeram uma interpretação sui generis da legislação e optaram por usar os recursos para uma gama de despesas nem sempre conectada com a qualificação que se quer das redes de ensino.

Quando a Prefeitura de Manaus opta por usar R$ 98 milhões no pagamento de contratos com prestadores de serviços, em algum momento este dinheiro faltará para reformas de escolas, criação e manutenção de bibliotecas e laboratórios educacionais. Isso é tão certo quanto o sino que dá início às aulas cotidianas às 7h10. Não por acaso os professores da rede municipal de Manaus estão indo às ruas protestar contra esse tipo exótico de uso destes recursos.