Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021
Editorial

Desigualdade mundial


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13/10/2021 às 09:07

A pandemia dá sinais consistentes de que estamos no caminho da recuperação da crise sanitária, o que é perceptível por meio dos números relativos a óbitos, internações e infecções. Mas os países continuam considerando esses indicadores de maneira isolada, sem importar-se adequadamente com o cenário global. Não resta dúvida que uma das razões da tragédia mundial foi a ausência de uma articulação global no enfrentamento da crise, o que ficou ainda mais evidente no acesso desigual às vacinas entre as nações. O que se vê até agora é uma extrema disparidade no que diz respeito à distribuição de imunizantes. O Brasil celebra o fato de ter mais de 46% do esquema vacinal completo, o que significa quase cem mil brasileiros completamente imunizados contra a covid-19 – uma vitória que se materializa na queda expressiva nos óbitos e novos casos; e se torna uma conquista maior ainda quando se considera o fato de que temos um governo federal que menospreza abertamente as vacinas e um presidente da República que simplesmente recusa-se a se vacinar. 

A África, por outro lado, apresenta cenário completamente diverso. O continente sofre com escassez de vacinas, de modo que menos de 5% da população continental está imunizada. Não à toa, o recuo da pandemia ocorre de forma mais lenta naquela parte do planeta. Mais uma vez a África sofre com o histórico desdém do mundo, como já aconteceu tantas vezes. As nações ricas e em desenvolvimento seguem olhando para o próprio umbigo, ignorando o fato de que a pandemia só estará plenamente controlada com a superação da crise em todos os continentes. Além disso, a economia global depende dessa superação. Enquanto não acontecer, enfrentaremos os fenômenos que contribuem para a escalada da inflação no Brasil, por exemplo. 

Ainda não é tarde para trabalhar uma política global de recuperação, embora seja esperar demais que as grandes potências resolvam atuar em harmonia por um objetivo comum que beneficie a todos. Infelizmente, o panorama atual revela o pior da humanidade: diante da catástrofe global, as nações, percebendo a oportunidade de uma reorganização na distribuição de poder, priorizam a busca por melhores posições no tabuleiro da geopolítica. É o que se vê no recrudescimento das tensões entre Estados Unidos, Rússia e China. Como resultado, podemos esperar por mais dias turbulentos à frente.


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