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Editorial

Desocupação atinge 27,7 milhões

17/05/2018 às 21:38 - Atualizado em 17/05/2018 às 22:43
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Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre  falta de postos de trabalho põe em evidência a precária difícil situação do País em especial das regiões que historicamente enfrentam mais dificuldades. São 27,7 milhões de pessoas desocupadas com maior impacto no Nordeste brasileiro. Os dados confrontam com as declarações recentes do presidente Michel Temer, feitas há dois dias, quando apresentou balanço de seus dois anos de governo.

A taxa baixa de inflação e a redução dos juros não produziram efeitos satisfatórios para a população. Ao contrário, os preços de produtos básicos não refletem essa redução, em alguns casos até foram reajustados e, com eles, outros produtos e serviços que, reunidos, promovem arrocho salarial às famílias. O quadro no Nordeste e vários Estados do Norte brasileiros é preocupante porque o tempo de recuperação da atividade econômica, de estruturação industrial e de meio e grande porte, e de fixação dos empreendimentos menores, principalmente o de serviço sofre o impacto da descontinuidade mais a demissão continua de trabalhadores.

O governo não consegue avançar em propostas que tenham coesão e condições de executar sem que as mesmas significam medidas mais restritivas  aos brasileiros que sofrem o impacto maior dessa crise. Ao mesmo tempo, mergulhado em denúncias, a preocupação maior do presidente Temer tem sido canalizada para fazer a sua defesa e tentar ter alguma fatia de participação no jogo eleitoral.

A alta taxa de desocupação de brasileiros aponta para agravamento dos confrontos e da violência e de adoecimentos de pessoas que vivem sob angústia e profunda incerteza. Aos trabalhadores mais velhos o reflexo é de quase desespero diante da indicação de que podem ser os demitidos de hoje; aos mais moços, a certeza de que não conseguirão emprego nessa temporada e lhes sobra tentar bicos, abandonar as atividades de formação. O fator eleitoral torna-se mais um complicador porque açoda as posições e descarta pela lógica política planos que considerem, responsavelmente, implantar ações de recuperação econômica e política brasileira. O efeito desenhado é de agudização da situação social e o que esta carrega, como a volta de várias doenças motivadas pela precariedade da vida edo aumento de baixa estima das pessoas.