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Editorial

Desperdício absurdo de recursos públicos

15/10/2017 às 19:59 - Atualizado em 15/10/2017 às 20:29
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Eficiência. Este é um dos princípios fundamentais da administração pública. Significa que os recursos públicos devem ser aplicados de forma a garantir o melhor resultado com o menor desembolso possível. É fundamental porque, de outra forma, o poder público se tornaria uma gigantesca torneira a desperdiçar dinheiro dos contribuintes. Ok! Há quem diga que já é assim que ocorre, mas isso não anula o princípio da eficiência e a necessidade de buscá-lo a todo instante. Jamais se deve perder a capacidade de se indignar diante de abusos flagrantes e de exigir reparação em face de desperdícios absurdos.

Um exemplo atual é a instalação, por parte da Eletrobrás Amazonas Distribuidora, de postes de média e alta tensão ao longo da rodovia AM-070 que está em obras de duplicação desde 2013. A empresa estatal não sabia que a rodovia está sendo duplicada? É fato que a obra se arrasta há quatro anos, a passos de tartaruga, mas vem avançando nos últimos meses e, ao que tudo indica, faltando apenas 37 quilômetros para ser concluída, será entregue ainda neste ano ou no início do próximo.

Ainda que a direção da empresa estivesse despachando de outro país ou planeta, qualquer pessoa que trafegar pela rodovia vai perceber que há obras de duplicação da estrada em andamento e que a instalação de postes de iluminação precisa levar em conta o novo desenho da via. De forma inacreditável, não foi o que aconteceu. Postes foram instalados no meio da pista onde logo passarão as obras de asfaltamento e construção de meio fio e sarjeta. 

Eles terão que ser removidos, causando um prejuízo ainda não calculado aos cofres públicos – isto é, ao bolso do cidadão que paga impostos a todo momento para ter serviços públicos de qualidade.

Discute-se, agora, a quem cabe o prejuízo pela remoção dos postes, se ao governo do Estado ou se à Amazonas Distribuidora. O impasse  será discutido em reunião convocada pelo governador Amazonino Mendes (PDT) para esta semana, mas, independentemente do resultado do encontro, já sabemos que o contribuinte, mais uma vez, pagará o pato pela falta de eficiência da Amazonas Energia.

A controvérsia não poderia surgir em pior momento, quando o governo federal articula a privatização da estatal para obter – segundo os argumentos oficiais – maior eficiência operacional. O que ocorreu foi uma falta de comunicação bizarra. Espera-se que isso não cause atrasos na entrega da obra, penalizando ainda mais os contribuintes, que já terão que pagar pela “bizonhice” absurda da empresa de energia.