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Editorial

Desperdício de alimentos

11/02/2019 às 07:34
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Causa indignação saber que, todos os dias, 90 toneladas de alimentos oriundos das feiras de Manaus vão para o lixo. O problema não é uma exclusividade da capital amazonense. O desperdício de alimentos é uma questão mundial. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), 30% de todo o alimento produzido no mundo vai parar no lixo. São mais de 1,3 bilhão de toneladas de comida desperdiçados anualmente. Tudo o que é jogado fora seria suficiente para alimentar os 821 milhões de pessoas que passam fome no mundo, segundo a ONU.

Algumas organizações não governamentais têm soluções que poderiam ser replicadas e Manaus. Uma delas é o Banco de Alimentos, uma ONG que atua desde 1998 em São Paulo. O método é bastante simples: os alimentos que sobram em feiras ou que perderam o valor de venda em supermercados são recolhidos e encaminhados a instituições sociais cadastradas. Uma ótima iniciativa que vem dando bons resultados.

Esse mesmo serviço poderia ser feito em Manaus pelo próprio poder público. A secretaria responsável pelas feiras faria a coleta diária dos alimentos que seriam descartados e os encaminharia para outra destinação, que poderia ser a merenda escolar por exemplo. O benefício seria duplo: além de evitar desperdício, ainda reduziria despesas com a compra de alimentos para a merenda.

A logística é outro ponto a ser atacado para reduzir o desperdício. A Prefeitura reconhece que boa parte das perdas acontece devido à precariedade da logística de abastecimento das feiras. Isso porque muitos alimentos vêm de outros Estados, demorando até  20 dias para chegar, o que contribui para o alto índice de desperdício.

De qualquer forma,  é preciso que se desenvolva uma política de aproveitamento dos alimentos, o que começa pela conscientização de feirantes e consumidores. Muitas frutas, verduras e legumes sobram nas bancas porque apresentam tamanho, formato ou cor “inadequados”, mesmo estando em perfeitas condições para o consumo.

Governo e Prefeitura estão se mobilizando para abordar o problema. Está previsto um encontro entre representantes do poder público e gestores da Mesa Brasil, projeto nacional encabeçado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). A ideia é instalar pontos de coleta para fazer a triagem de alimentos que não foram vendidos e que podem ser doados. É um bom ponto de partida.