Quinta-feira, 04 de Março de 2021
Editorial

Desqualificação e violência


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28/01/2021 às 06:46

O tratamento violento por parte de autoridades governamentais à imprensa e a jornalistas é uma expressão da decadência da democracia. A prática não é fato novo, está presente em vários momentos da história e em diferentes graus. É importante avaliar tais atitudes como sintoma de algo ruim com efeito nocivo à sociedade. Não se trata de promover prejuízos à imprensa e as categorias de trabalhadores desse meio, estes sofrem a violência primeira, são constrangidos, desqualificados, espancados e até mortos, mas ultrapassar o limite das garantias constitucionais significa ignorar os instrumentos que seguram a vida democrática em uma nação.

O relatório da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), divulgado há dois dias, sintetiza por meio de números e de relatos o quanto o Brasil mergulhou em um tipo de relacionamento baseado na hostilidade, na comunicação violenta e na produção de mentiras em série como se notícias fossem. O limite, no caso brasileiro, está em rompimento, pede a atuação imediata e firme das instituições que ao longo da vida do país Brasil atuaram para estabelecer garantias e o respeito ao cumprimento dessas garantias. Uma série de aparatos legais estabelecem os critérios de atuação da imprensa e da atividade jornalística e asseguram aos ofendidos por elas o direito de restabelecimento da verdade, de reparação dentro dos ritos da Justiça.

São esses aparatos que, em todo o mundo, vem sendo melhorados, qualificados e ampliados a partir das tensões que geram, do dado novo e do avanço dos direitos socioambientais, os que necessitam ser protegidos, cada vez mais difundidos e apropriados pelos cidadãos.

A imprensa comete erros, muitos dos quais são graves, faz opções por determinadas narrativas e por determinados grupos sociais, políticos econômicos. Adere a golpes ditatoriais e às lutas pelas liberdades, pela democracia, pelos direitos amplos gerais e irrestritos dos povos, dos segmentos sociais que têm esses negados.  Não se ignora o movimento da lanterna da atividade jornalística nem os desvios. Estes, dentro do arco de tensionamentos produzidos, são expostos, confrontados e denunciados.

As conquistas feitas em longos processos de lutas, de confrontos terríveis, não podem ser lançadas ao lodo, como ora ocorre no Brasil. Essas são conquistas que estão além da atividade jornalística e dizem respeito a vida digna de cada cidadão.


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