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Editorial

Desrespeito à população

28/02/2018 às 22:27
Show manaus amb

A venda da Companhia de Saneamento do Norte (CSN) controladora da Manaus Ambiental é uma dessas questões que geram perplexidade. Como é que um tema de tamanha relevância é tratado dessa forma e o Poder Legislativo fica alheio a ele?  A tentativa que vereadores e deputados estaduais fazem nesse momento para ter explicações e conhecerem o processo demonstra o quanto estão apartados os poderes e como a representação dos interesses da população está fragilizada.

Servidores revelaram, como mostra matéria de A CRÍTICA, na seção Tema do Dia de ontem, que foram surpreendidos com a informação da venda da Manaus Ambiental. Na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa o desencontro de informações e o desconhecimento são visíveis. Os consumidores desse serviço estão perturbados e atônitos com atos dessa natureza. Temem que o quadro montado represente custos mais elevados para o acesso à água.

Uma transação desse tamanho não poderia ser tratada da forma como foi. A não ser que os controladores entendam ser os detentores de poder absoluto para deliberar isoladamente sobre um tipo de prestação de serviço que afeta diretamente a vida de milhares de pessoas em Manaus. Agem dessa forma diante da fragilidade institucional que é a senha para cada grupo impor seu modus operandi sem a preocupação de prestar informações mais amplas e transparentes. O que se tem, nesse caso, é uma conduta absurda e desrespeitosa para com a sociedade amazonense e às instituições.

Negócios nessa área estão carregados de conflitos e têm históricos socialmente negativos. Uma série de instrumentos legais vem sendo instituídos para assegurar o ajustamento de condutas, ainda assim há procedimentos que ignoram tais esforços e atropelam as relações interinstitucionais. Esse é um deles. As informações ora dadas pela gerência de que o grupo que comprou a CSN tem suporte financeiro superior ao do atual reforçam o desrespeito à população. Mostram que a lógica da privatização se revela por desconsiderar os vários setores que podem vir a ser atingidos numa relação de compra e venda particular, especialmente em segmentos essenciais, e se realiza independente da vontade e da percepção da população usuária desses serviços. É essa lógica que prevalece.