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Editorial

Desrespeito ao usuário

20/06/2017 às 22:08 - Atualizado em 20/06/2017 às 22:10
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A população de Manaus que depende do transporte coletivo para exercer seu direito constitucional de ir e vir pode ter, hoje, mais um dia de muita dor de cabeça. O Sindicato dos Rodoviários aprovou, ontem, a realização de uma greve por tempo indeterminado, penalizando, novamente os usuários pelo não cumprimento de acordos firmados com os patrões. Uma liminar concedida pela Justiça do Trabalho ao Sindicato das Empresas de Transporte Urbano, o Sinetram, proíbe a realização da greve. No entanto, a população certamente ainda lembra que, na última greve, os ônibus ficaram nas garagens mesmo com decisão da Justiça determinando que fossem para as ruas. Vamos esperar que a Justiça seja respeitada desta vez.

Os sindicalistas argumentam, como justificativa para a greve, que as empresas de ônibus não concederam o reajuste salarial anual dos rodoviários e que o Sinetram não cumpriu com o que foi acertado nas negociações.

Todas as vezes que o Sindicato dos Rodoviários realiza greve, fica a questão: se a intenção é protestar contra as empresas, por que não liberar as catracas? Bastaria um dia de catraca liberada para que os empresários sentissem o impacto no bolso.

A paralisação do sistema, por outro lado, prejudicaria, principalmente quem não tem nada a ver com as relações mal resolvidas entre rodoviários e empresas de transporte urbano. Uma solução de meio termo precisa ser negociada para evitar graves danos aos usuários em caso de greve.

Em vez de negociar, as empresas preferiram partir para o embate judicial.

Esse embate entre trabalhadores e empresários do transporte coletivo é uma novela interminável que tem resultado em greves e paralisações cada vez mais frequentes. No meio do fogo cruzado, os usuários do sistema precisam ter muita paciência para tolerar um serviço sem qualidade, com muitos ônibus inseguros, velhos e mal conservados e que estão sempre superlotados nos horários de pico. Além disso, os usuários ainda precisam pagar uma das maiores tarifas do Brasil. É um teste gigantesco de paciência. 

Independentemente das negociações, é preciso haver respeito ao usuário, que é, no final das contas, quem paga pelo serviço e merece um mínimo de consideração.