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Editorial

Destaque vergonhoso

10/11/2018 às 08:33
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Classificado em terceiro lugar na lista de Estados com o pior nível de saneamento, o Amazonas reclama atenção há décadas nessa área. Mesmo com recursos internacionais que tornaram possível realizar grandes projetos de revitalização de igarapés, como é o caso do Prosamim em Manaus, a situação se mantém crítica com tendência de agravamento na medida em que as condições de vida na maioria das cidades amazonenses também estão decrescendo.

Esse é um dos problemas que o novo governo a assumir em janeiro terá pela frente. Retirar o Estado da condição em que se encontra no item saneamento representa enfrentar, como mecanismos diferentes, um velho problema diretamente associado a precarização da vida e ao distanciamento de uma política de educação e saúde pública que atuem conjuntamente desde a base e com forte presença comunitária informando e criando dispositivos de diálogo permanente sobre o potencial que as comunidades representam para melhor enfrentar as muitas questões que envolvem o saneamento.

O Amazonas não é um Estado pobre e, nessa matéria, a questão é menos falta de verba e mais os descaminhos na conduta administrativa e no entendimento de que este é assunto é sério. Gasta-se muito em outras atividades e retira-se de cena ações que poderiam ser eficazes dentro de uma política de saneamento básico, realizadas simultânea e continuamente e da qual participem todos os atores sociais (moradores, estudantes, professores, empresários, representantes de instituições, de igrejas, de agremiações culturais). Ao final, o que a população quer é ter melhor condições de vida e, para isso, precisa conhecer e ser corresponsável pela recuperação dos bens públicos, percebê-los com seus e tornar-se também fiscal para a manutenção e as formas de usufruto.

É fato que a relação nesta área tem sido desigual, com alguns segmentos sociais dispondo de ruas largas, bem asfaltadas e iluminadas, coleta regular de lixo, boas escolas, área de lazer e de arborização asseguradas e acesso a água de qualidade. A maior parcela recebe migalhas dos serviços públicos onde a ausência desses serviços ou a precariedade deles se faz mais forte. As escolas, os institutos de pesquisa, as universidades e outras tantas instituições podem contribuir no desenvolvimento de uma política de saneamento decente, desde que sejam tratadas com respeito nessa proposta.