Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
Editorial

Dez anos na tragédia


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13/01/2020 às 08:44

Há dez anos, o Haiti era devastado pelo terremoto que deixou 300 mil mortos e mais de 300 mil feridos. Uma tragédia que abalou o mundo e motivou uma onda de solidariedade global. Considerado o quinto mais grave da história do planeta, o fenômeno natural destruiu a capital haitiana, incluindo o Palácio Presidencial, a sede do Banco Mundial e a catedral de Notre-Dame de Porto Príncipe. Manaus foi diretamente impactada, tornando-se destino de milhares de haitianos que optaram por deixar sua terra natal e buscar trabalho em outros lugares para reconstruir a vida.

Os dados oficiais revelam que entre 2010 e novembro do ano passado mais de 224 mil haitianos ingressaram no País, sendo a maioria nos Estados de São Paulo, Roraima, Acre e Amazonas. Por aqui, mais de 20 mil haitianos foram atendidos nos postos de imigração localizados nas cidades de Tabatinga e Manaus. Hoje, eles já fazem parte da diversidade característica da população manauara. De lá para cá, ao que parece, pouco aprendemos sobre o acolhimento de migrantes. Tal fato fica evidente diante da situação de outro povo vitimado por uma tragédia, desta vez de natureza social. Os venezuelanos continuam chegando, sem que haja uma política concreta e eficaz de acolhimento e integração. A chegada dos haitianos proporcionou ao Amazonas e ao Brasil a oportunidade de colocar em prática a solidariedade, e também obrigou o setor público a se organizar para lidar de forma adequada com o fenômeno migratório. Infelizmente, essa experiência parece não ter contribuído para o amadurecimento institucional, e a chegada em peso dos venezuelanos foi, inicialmente, apenas observada com perplexidade pelos gestores públicos.

Dez anos após o desastre no Haiti, o Brasil precisa aceitar sua condição de destino migratório, não apenas em face de situações excepcionais como os eventos ocorridos no Haiti e na Venezuela, mas como opção natural para pessoas de todo o mundo em busca de um recomeço. Já é hora de estruturar as instituições para lidar com essa realidade, proporcionando acolhimento adequando aos migrantes. É uma missão dificílima, sobretudo considerando que o País não consegue atender nem os próprios brasileiros em situação de vulnerabilidade social, mas que precisa ser enfrentada. 


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