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Editorial

Diante da dupla violência

30/07/2017 às 19:27 - Atualizado em 30/07/2017 às 19:28
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Dois temas encerraram as notícias de domingo e devem ser revistos nesta semana pela gravidade que carregam. Um, o estupro de uma menina dentro do presídio. Como é que pode ocorrer um crime dessa ordem dentro do presidio em um dia de visita? Já se sabe que não há limite por parte dos criminosos e que o sistema de controle é falho. A vitima, uma menina de 8 anos de idade, simboliza pela dor e tamanha agressão a razão de mudar determinados protocolos. O outro, o atropelamento e morte de um jovem, de 24 anos, por um motorista embriagado.

A menina estuprada por um presidiário, na sexta-feira, acompanhava a mãe que fora ao presidio visitar o marido também preso. Aguarda-se que já a partir desta segunda-feira, decisões sejam tomadas para rever os critérios de visita, garantindo direito dos presos ao convívio com familiares, e também das pessoas, principalmente as mais vulneráveis, nessas visitas. O caso choca. E exige medidas em curto prazo. Ao mesmo tempo é preciso queseja garantida atenção médico-psicológica a garota violentada para que possa enfrentar as sequelas da violência que foi submetida; à mãe, e enfim à família que já sofre com a condição em que se encontra o pai.

Já há informações por parte do governo estadual de que serão alteradas algumas medidas em relação às visitas e a permanência de crianças nos presídios. É fundamental que as mudanças sejam feitas com responsabilidade e rigor e não demorem a ser efetivadas porque logo outro registro de igual violência poderá ser feito. Precisam ser igualmente esclarecidas, tornadas públicas. A violência da violência não pode sair-se vencedora e estabelecer uma convivência da barbárie no Amazonas.

Quanto ao jovem atropelado e morte, há banalização das mortes por acidente detrânsito. Dor é para os parentes e amigos. Motociclistas praticamente todos os dias atropelam, sequela e matam alguém em função da forma alucinada com que dirigem; e, são atingidos por outros veículos, sequelados, mortos. É possível reduzir o número de acidentes de trânsito e de pessoas mortas em Manaus?  Sim, é. Mas exige rigor e tratamento igual a todos os infratores. Em outras cidades de outros países, a violência no trânsito conseguiu ser controlada e as mortes reduzidas a índice muito baixo. Aqui é recorrência diária.