Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
Editorial

Dignidade no fim da vida


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02/10/2019 às 07:26

O envelhecimento da população é um fenômeno nacional que merece ser comemorado, afinal, resulta de fatores positivos como maior acesso a serviços de saúde, queda na taxa de natalidade e aumento na expectativa de vida. Há 30 anos, os amazonenses viviam em média 63,7 anos. Atualmente, essa média já ultrapassa 73 anos. Em nosso Estado a população na faixa etária de 65 anos ou mais saltou de 57 mil em 1991 para mais de 140 mil em 2010, saindo de 2,7% para 4% da população no intervalo de apenas duas décadas.

A população de idosos cresceu e vai continuar crescendo, mas a sociedade não tem se ajustado na mesma velocidade. Faltam serviços públicos adequados a essa faixa etária. As cidades precisam ser pensadas levando  em conta o crescimento dessa população. Não se pode admitir uma cidade sem calçadas. Se isso é um problema para quem goza de plena saúde, é um verdadeiro transtorno para idosos com problemas de locomoção. O mesmo vale para a falta de acessibilidade nas edificações, tanto públicas como privadas. O fato é que, em muitos aspectos, Manaus não oferece serviços adequados a ninguém, menos ainda para os idosos. O transporte público, por exemplo, que já é vergonhoso para qualquer pessoa, torna-se um sacrifício absurdo e uma humilhação para as pessoas de mais idade.

Falta, inclusive, preparo por parte das próprias famílias para lidar com seus idosos. Infelizmente, são muitos os que não contam na velhice com o amparo dos próprios filhos, e acabam vivendo em condições subumanas ou simplesmente são abandonados. Isso sem falar nos que são explorados pelos próprios parentes, que se apropriam de seus benefícios previdenciários. São cidadãos que já deram sua contribuição à sociedade e que agora merecem ser amparados, se não pelas famílias, pelo poder público.

É indispensável ampliar serviços voltados para essa faixa etária, com visitas domiciliares para acompanhamento da saúde e das condições de vida. Há idosos vivendo nas ruas como pessoas invisíveis. Eles precisam ser vistos e amparados, o que só será possível com investimentos em instalações adequadas para recebê-los. Manaus conta com poucas casas desse tipo, mas que não podem funcionar apenas  como depósitos de pessoas.

O Amazonas e o Brasil precisam trabalhar para garantir que os idosos tenham plena dignidade no fim da vida.
 


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