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Editorial

Direitos e mazelas humanas

09/12/2018 às 11:21
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Na segunda-feira (10 de dezembro) a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 70 anos. O documento, nascido a partir de um posicionamento de líderes mundiais ao refletirem  sobre a catástrofe humana deixada como herança da Segunda Guerra, tornou-se um instrumento norteador de políticas em países ricos, pobres, miseráveis, onde a democracia se estabelecia e naqueles em que os tempos eram de regimes ditatoriais. Era preciso superar os aniquilamentos da guerra e estabelecer novos parâmetros para a convivência entre as nações.

Aos 70 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é criticada e rejeitada por líderes dos maiores governos do mundo; e acionada por outros líderes e inúmeros segmentos sociais como mecanismo de defesa nas diferentes lutas pelo direito à vida e pelo entendimento de que as pessoas são portadoras de dignidade e devem ser respeitadas. É esse documento histórico que retoma, sete décadas depois da sua publicação, a noção de valor em torno da vida neste século.

O mundo globalizado, detentor de espetaculares avanços tecnológicos, é também um mundo onde o drama humano explode em decorrência das guerras para manter e ampliar o poder político e econômico de algumas nações sobre outras. Os habitantes do Planeta Terra assistem uma nova forma de guerra disseminada por  tecnologia refinada e robotizada. No Brasil, a volta à condição de extrema pobreza atinge 15,2 milhões de pessoas, a maioria delas vivendo no interior do Nordeste e nas grandes periferias econômicas dessa região, do Norte e Centro-Oeste. 

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no dia 5 deste mês, apresenta um quadro de degradação da vida no País. O Estado de São Paulo aparece, nesse estudo, como o que detém a maior cobertura de serviços essenciais que engloba coleta de lixo, abastecimento de água potável e rede de esgoto sanitário. A desigualdade, uma marca na vida brasileira que vinha recuando, passa a ser reforçada e considerada normal por grupos detentores da maior faixa de patrimônio e renda. 

Em Todo o mundo, existem 1,3 bilhão de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza (dados de setembro deste ano).  A esse número juntam-se as multidões de deslocados, de imigrantes, refugiados que lutam, em todo momento, para conseguir um lugar onde possam viver.  A Declaração dos Direitos Humanos de 1948 está diante de uma nova catástrofe mundial.