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Editorial

Direitos humanos no ralo

09/12/2017 às 19:33
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Neste domingo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 69 anos com um resultado amargo e constrangedor para o Brasil. O País aparece em estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos maiores violadores de direitos. Após ter superado uma fase de atrocidades e iniciar que enfrentavam com eficiência, em alguns setores, a violação do direito das pessoas, o Brasil mergulha nas águas poluídas do desrespeito e da banalização dos crimes cometidos contra mulheres e homens.

A 18ª edição do Relatório Direitos Humanos no Brasil lançada no dia 5, apresenta um quadro do avanço da violência, dos assassinatos de trabalhadores rurais, indígenas, mulheres e jovens. É uma radiografia sangrenta do caminho que o governo do País decidiu seguir sinalizando a setores cuja atuação é feita pela truculência e a tortura que podem continuar. Assassinatos em série envolvendo policiais são tratados com lentidão e esforço nítido para culpabilizar as vítimas fatais.

O nível moroso e a reação tímida das autoridades demonstram que as vítimas e os que estão sob ameaça não contam e não dispõem de proteção. São outros os temas que merecem a atenção governamental e legislativa. E esses temas têm em comum o combate de políticas governamentais para a implantação e melhoria dos instrumentos de garantia dos direitos humanos. A exacerbação da violência no campo e na cidade é um dos primeiros resultados da conduta do governo e do legislativo onde a voz mais ouvida é aquela que prega mais confrontos, o armamento da população e a efetivação ampla de retrocessos na vida nacional.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos principais documentos da humanidade. Nasceu a partir da destruição provocada pela guerra mundial em sua segunda versão como tentativa de inaugurar um processo de humanização dos humanos, estabelecendo a partir de acordos limites que deveriam ser observados pelos governos dos países signatários do documento. O que o mundo revela hoje é um quadro afeito às guerras com governantes que estimulam confrontos e se revezam em discursos de ataques às populações mais fragilizadas. A humanidade está diante de novos desafios para contrapor-se, em seus países, as políticas de guerra, segregadoras e patrocinadoras de mortes implantadas por governos e acatadas por legisladores. Os direitos humanos são fundamentais para assegurar estabilidade e segurança democrática aos povos. Quanto mais uma não se afasta dessa exigência mais perigosa ela se torna.

*Foto: Mídia Ninja