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Editorial

Disputa na receita

18/10/2016 às 21:33
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É perfeitamente compreensível a atitude dos auditores fiscais da Receita Federal que resolveram realizar operação tartaruga nos portos e aeroportos do País. O  direito de greve é assegurado a todos pela Constituição Federal e qualquer categoria profissional pode e deve lutar pela defesa de seus interesses. Entretanto, esse direito precisa ser exercido de forma equilibrada e justa, considerando as consequências que a paralisação pode causar na bastante combalida economia do País. A situação é especialmente grave no Amazonas, que depende fundamentalmente de produtos oriundos de outros estados, itens cujo abastecimento certamente será prejudicado pela paralisação dos auditores.

A mais grave consequência dor movimento grevista será na indústria, que é o motor da economia local e que já enfrenta sérias dificuldades com queda contínua na produção e no nível de empregos. Se a Zona Franca vai mal toda a economia do Estado padece, dado o altíssimo grau de dependência que temos do modelo industrial. O pleito dos auditores, desta vez, não é reajuste salarial ou benefícios dessa natureza, como ocorre praticamente todos os anos. O motivo da mobilização é o repúdio ao projeto de lei que equipara atribuições dentro da Receita. A lei em questão é a 5.864/2016 que tenta promover o cargo  de auxiliar da Receita Federal (de Analista-Tributário) em autoridade tributária e aduaneira.

Não cabe aqui analisar os méritos da questão que ainda será devidamente discutida nos fóruns competentes.

O fato é que, até que a situação se resolva, o País pagará um preço alto, no momento em que se busca com todas as forças restabelecer o equilíbrio econômico e retomar o crescimento, superando a atual crise que se manifesta na vida de todos os brasileiros. Para o Sindicato dos Fazendários, a greve é uma afronta  à sociedade, por tratar-se  de uma “briga de poder” dentro do órgão. Uma disputa interna para ver quem tem mais poder na Receita Federal.

A greve causa a paralisação de serviços essenciais para o Estado que vive um estado deplorável com a arrecadação.

O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Amazonas (Sindifisco Nacional-AM), informa que 30% dos auditores fiscais estão trabalhando. A paralisação se estenderá até amanhã, quando então será realizada uma nova assembleia nacional para decidir os rumos do movimento. Esperamos haja bom senso e que sociedade não seja a grande prejudicada ao final dessa disputa.