Segunda-feira, 26 de Outubro de 2020
Editorial

Diversificação já


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18/09/2020 às 08:31

Em artigo publicado no acritica.com, o economista Osiris Silva defende a necessidade de diversificação da matriz econômica da Zona Franca de Manaus. Para ele a decisão da Sony de encerrar suas atividades no Polo Industrial de Manaus (PIM) dá sequência a outras ações do tipo, tomadas no passado por importantes grupos multinacionais. “De fato, ao longo desses mais de meio século grande número de empresas desistiram de manter ou de se instalar na ZFM, mesmo com cerca de 10 mil projetos aprovados pela Suframa e governo do Estado no período”, lembra Osiris.

Em 1990 o PIM gerava mais de 150 mil empregos diretos, hoje, já em declínio e mais recentemente influenciado pela pandemia o número gira em torno de 85 mil postos de trabalho. O faturamento, em dólar, despencou 29,64%, base maio, de US$ 26,4 bilhões em 2019 para US$ 7,6 bilhões neste exercício.

“Lamentavelmente esses grupos não promovem substituição de produtos defasados tecnologicamente por outros de nova geração que motivaram o encerramento local de suas operações. O domínio mundial do mercado de TV por enquanto é da Coreia do Sul, sucessora do Japão, que logo terá a companhia internacional da China. Entretanto, produtos eletrônicos e bens de informática alternativos poderiam estar sendo fabricados no PIM. A Intel instalou uma fábrica de micro processadores no Vietnã; por que não em Manaus?”, sustenta.

O fenômeno indica a urgente necessidade de o governo promover a reestruturação do chamado modelo ZFM, concentrado polo industrial, que abriga diminutas cadeias produtivas (sete setores respondem por 93,22% do faturamento do PIM). “Há 30, 20 anos atrás já estava claro que a monocultura industrial não levaria a economia amazonense a porto seguro no longo prazo. Pois bem, o momento chegou. A hora, por conseguinte, é de realizar os investimentos que se fazem necessários à implantação da bioeconomia, a exploração sustentável de recursos da biodiversidade - produção de alimentos, biofármacos, biocomésticos, construção naval, ecoturismo, polo petróleo-gás, serviços ambientais, nanotecnologias, bioengenharia, manejo florestal, mineração, dentre outros”, afirma Osiris.

Não se trata de substituir o PIM, mas de complementá-lo, aerando nossa matriz econômica via diversificação de cadeias produtivas derivadas de produtos oriundos da vasta potencialidade que o bioma amazônico nos oferece sem pedir nada em troca, a não ser que dele cuide bem e o preserve para o bem do Brasil e da humanidade.
 


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