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Editorial

Drama do desemprego continua no Amazonas

17/07/2017 às 22:43
Show industria

A despeito do resultado positivo na criação de empregos no País - que teve saldo de 9,8 mil vagas criadas em junho, o Amazonas segue convivendo com a escalada do desemprego. O dado preocupante é que o setor mais afetado é a indústria, exatamente o motor da economia amazonense. Com a economia desaquecida, as fábricas vendem menos e demitem mais do que contratam. No total, foram perdidos mais de 4,7 mil postos de trabalho no primeiro semestre; 4,7 mil trabalhadores mandados para casa, engrossando o exército de desempregados que não para de crescer no Amazonas.

Só na indústria o saldo negativo é de 1,4 mil demitidos no semestre. O reflexo no comércio é imediato, com queda expressiva no volume de contratações.

Pior que isso, depois que demitem, as fábricas têm evitado contratar trabalhadores efetivos, preferem lançar mão de funcionários temporários ou terceirizados, na esperança que o cenário geral da economia finalmente melhore.

Este será um dos desafios do próximo governador do Amazonas: desenvolver políticas públicas que dinamizem a economia e estimulem a criação de empregos para os amazonenses.

A criação de vagas foi um dos principais argumentos usados pelo governo federal para promover a reforma trabalhista, recentemente sancionada pelo presidente Michel Temer. Especialistas concordam que as mudanças, de fato, favorecem as contratações, embora enfraqueçam o trabalhador, que fica em posição ainda mais fragilizada diante dos patrões. Para quem está desempregado, então, a situação é ainda mais delicada porque o trabalhador acaba tendo que “pegar o que aparecer”, independentemente das condições . Muitos podem acabar aceitando condições similares ao subemprego, o que pode ser favorecido pela flexibilidade autorizada pela reforma.

O Ministério Público do Trabalho, embora também prejudicado pela reforma, precisa manter-se atento e atuante para evitar abusos.  Como se dará o ajustamento às novas regras é algo imprevisível.

O que se espera é que os empregos venham, e sem precarização. Otimista, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, espera aceleração na criação de postos de trabalho nos próximos meses. Torcemos para que ele esteja certo. É esperar para ver.