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Editorial

Drama recorrente

29/11/2016 às 21:59
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O Ministério Público do Estado e a Secretaria Municipal de Infraestrutura assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta visando acabar com os riscos causados por, aproximadamente, 2,3 mil bueiros sem tampa ou sem as devidas grades de segurança.

O problema não é novo, se arrasta já há um bom tempo, mas neste ano ganhou especial relevo por ter causado a morte de quatro jovens que cairam neles em dias de chuvas, sendo o último o menino Gustavo Silva Araújo, 7, que brincava durante uma chuva no bairro em que mora com os pais, o Monte das Oliveiras, na Zona Norte, e cujo corpo  foi encontrado dias depois pelo Corpo de Bombeiros nos fundos do condomínio Vila Suíça no bairro Tarumã, Zona Oeste

A repercussão da morte do menino aceleraram as tratativas entre MPE eSeminf para que o trabalho começasse imediatamente e a pasta municipal assumiu o compromisso de solucionar mais de 600 casos por mês, pedindo, portanto, quatro meses para acabar com os riscos.

Passado pouco mais de um mês, contudo, uma das áreas em que o problema é mais agudo, um conjunto habitacional da Zona Norte, segue com os bueiros escancarados e levando riscos a vida das pessoas.

Neste sentido é de partir o coração o caso que A CRÍTICA mostra hoje e envolve a aposentada Joana Silva de Souza, 77. Há quase quatro anos ela foi informada que o marido dela João Feliciano de Souza, 63, havia caído no  bueiro existente na esquina de casa deles, na rua 1,  conjunto Boas Novas, Cidade Nova 2, Zona Norte. Resgatado do buraco, cheio de lama de uma enxurrada de um dia chuvoso em Manaus, Feliciano foi levado para o Serviço de Pronto Atendimento Danilo Corrêa, mas chegou morto no local.

O drama dela é maior porque até hoje o bueiro continua do mesmo jeito, sem tampa e colocando a população em risco, ela própria inclusive, que passa por ele todos os dias. “Fico triste em saber que depois de quase quatro anos de sofrimento, até hoje ninguém veio colocar uma tampa no bueiro onde meu esposo caiu”, conta a aposentada num relato tocante pela desesperança que o poder público, mesmo comprometido com o órgão ministerial, não consegue acabar.

 Neste sentido, é de bom alvitre que o MPE siga perseverando na cobrança para que a prefeitura cumpra com sua obrigação.