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Editorial

Dramas banalizados

06/07/2017 às 23:23 - Atualizado em 06/07/2017 às 23:26
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Indicadores dos temas de maior preocupação dos eleitores no Amazonas mostram que a falta de segurança pública e o desemprego aparecem no topo. O mais grave é que as duas questões estão sendo tratadas ainda como bandeiras de campanhas eleitorais com vida curta para o tempo eleitoral. Ao mesmo tempo a população sofre literalmente os efeitos desse quadro crítico.

Não é aceitável que assuntos de tamanha gravidade possam ser banalizados. Todos os dias em escalada um número cada vez mais expressivo de pessoas de diferentes idades tornam-se reféns e vítimas da violência dentro de casa, nas ruas, nos ônibus, nos locais de trabalho e nas escolas. As pessoas vivem atemorizadas e não conseguem ter respostas das autoridades que representem sensação de segurança. A sequência de casos de roubos, assaltos, mortes, tiros, arrombamentos é tamanha que não permite respirar normalmente e, ao mesmo, produz uma onda de mais violência.

A política não está dissociada desse problema. Por sinal, é corresponsável pela situação criada na medida em que não a trata com a seriedade que precisa e, por vezes, candidatos a cargos eletivos no executivo e no judiciário “brincam” de xerifes das cidades e, com frequência, quando eleitos, são envolvidos e flagrados em atitudes nada republicanas.

A proximidade da política e mesmo o envolvimento de muitos dos políticos nos esquemas de corrupção exprimem uma face das razões da precariedade da segurança pública e da perda de credibilidade dos políticos. A reunião desses ingredientes gerou o quadro a que se chegou o País e o Amazonas. Superar esse estágio exige reformar a política o que não é interesse dos que dela participam. Caberá à sociedade, a partir do nível de organização e cidadania que tem lutar por mudanças reais.

Os pactos que ora são estampados entre Governo e Congresso Nacional sugerem que a luta deve ser permanente e educadora. Ou seja, há necessidade de traduzir o efeitodesses acordos na vida nacional e mostrar os vínculos que têm com a insegurança pública, a violência generalizada e a  banalização da vida.Os números são vistos como registros que não falam e não promovem a tomada de decisão por parte dos dirigentes governamentais.