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Editorial

É preciso conhecer a Suframa

26/05/2017 às 22:34
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O Polo Industrial de Manaus passou essa semana por mais um daqueles momentos de turbulências que trazem para o cenário econômico local dúvidas e incertezas, tendo, como sempre ocorre, Brasília como epicentro dos nossos problemas.

A primeira pedra veio na forma do projeto de lei complementar que mais uma vez dá anistia e consagra no nosso ordenamento tributário a famosa guerra fiscal, com os parlamentares igualando as aliquotas de impostos para todo o País e não levando em conta que é na política tributária que estão concentradas as vantagens comparativas do modelo Zona Franca de Manaus.

O modelo, que por sinal, foi novamente exaltado pelo Comandante do Exército, general Eduardo da Costa Villas-Boas, em no seminário Defesa Nacional, Vigilância de Fronteiras e Segurança Pública, O papel das Forças Armadas, promovido pelo Instituto FHC, em São Paulo. Conforme o general, o modelo é o exemplo de que desenvolvimento não casa com desprezo ao meio ambiente, mas que isso é difícil de entender pelos que não conhecem - ou fazem questão de não conhecer - a região Amazônica, cujo epicentro, identificou o general, é a cidade de Manaus.

Em que pese os males da crise política, contudo, o projeto de lei complementar não andou no congresso e a força tarefa montada pelo governador David Almeida (PSD) terá mais tempo para atuar junto aos parlamentares e deixar claro nossa posição.

Nem bem nos livramos do primeiro problema, novamente Brasília nos cria outro com uma brutal intervenção política no comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Não por acaso, os setores empresariais pediram ontem uma solução técnica para o caso, pois em momentos como os atuais colocar um amador ou um político sem conhecimento sobre o modelo poderá gerar enormes prejuízos para todos no Estado.

Perfil técnico dos dirigentes é um velho pedido da classe empresarial, que viveu seus melhores momentos exatamente quando gestões técnicas se impuseram contra indicações políticas.

Em resumo, está mais do que na hora do governo federal entender que não pode usar a Suframa como moeda de troca. Daqui desta aldeia, nossos políticos também precisam entender isso e deixar de brigar por um cargo aqui e outro ali na autarquia federal.