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Editorial

É preciso recomeçar

06/04/2016 às 23:48
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Tudo indica que a crise política - ou pelo menos a parte que toca a governabilidade do País - caminha para um desfecho em breve. Os próximos dias devem ser intensos, com o governo indo para o tudo ou nada nas negociações em busca de aliados, e a oposição intensificando o clima de “Fora Dilma” que se viu ontem durante a votação do relatório da comissão do impeachment na Câmara dos Deputados. 
Paralelo a isso, as manifestações - favoráveis e contrárias à presidente Dilma Rousseff - devem ocorrer diariamente até o dia 17, quando deve ser encerrada a votação que decidirá se o processo segue ou não para o Senado Federal. 

O importante é que termine, e o mais rápido possível, uma vez que o País segue paralisado em meio a uma séria crise econômica. 

Infelizmente, a cada dia se comprova que a necessidade de “limpeza” do Brasil não se encerrará com o eventual afastamento da presidente e instalação de um novo governo sob a batuta do PMDB. 
Um exemplo é o que ocorre com o programa de reforma agrária em todo o País. O programa - eterna bandeira de luta dos movimentos sociais - foi paralisado ontem pelo Tribunal de Contas da União (TCU) depois que uma auditoria identificou que nada menos que 30% da base de beneficiados tem alguma irregularidade. 

O programa federal deveria beneficiar famílias de agricultores sem terras e incentivar a produção rural de base familiar. Mas a auditoria do TCU identificou absurdos como lotes distribuídos a milhares de políticos e pessoas literalmente ricas. Mais de 61 mil empresários, 144 mil servidores públicos, quase 38 mil pessoas falecidas e  19 mil cadastrados com bens que incluem veículos de luxo, de marcas como Porsche, Land Rover e Volvo.

Este é apenas um programa importantíssimo contaminado por irregularidades em um País onde parece não haver limites para a corrupção. O Brasil dessa reforma agrária precisa ser passado a limpo. O primeiro passo para isso é o restabelecimento da governabilidade - seja pelo impeachment, por novas eleições, pela renúncia, pelo que for. O País não pode continuar paralisado nem dividido da forma exacerbada que se vê atualmente. O Brasil precisa recomeçar e isso não cabe apenas aos parlamentares, mas a cada brasileiro.