Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Editorial

E qual será a reação do Amazonas?


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24/06/2019 às 07:10

A Zona Franca de Manaus sofreu uma média de dois ataques diretos a cada dois meses nos primeiros seis meses deste ano. Desta forma, o principal modelo econômico do Amazonas tem acelerado o processo de desmantelamento a partir do Governo Federal.  Igualmente, se confirma na prática o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes que, em entrevista logo após tomar posse, disse não iria tomar nenhuma medida que pudesse atingir a constitucionalidade da ZFM, mas não pararia o desenvolvimento do País por conta dessa agência de desenvolvimento.

Os atos tomados fragmentam ainda mais a Zona Franca e fragilizam diretamente esse tipo de arranjo no qual se baseia o modelo. O Plano Dubai, inclusive elogiado por setores empresariais do Amazonas, é uma das muitas interrogações que se acumulam no entorno do governo federal pouco afeito ao debate com os diferentes segmentos. Medidas são tomadas e anunciadas sem que sejam pensadas a partir de um Brasil para além de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os interlocutores do governo ainda vivem sob o crivo de acertar a lógica de interpretação presidencial e de seus mais fiéis conselheiros ou ser mandados embora, demitidos publicamente.

O Brasil que vive além desse circuito e está muito longe de ter índices de bom desenvolvimento humano padece e avoluma os traços da desigualmente regionais e entre as cidades. A forma como a ZFM está sendo tratada se inclui nesse projeto de desenvolvimento que o Ministério da Economia trabalha para implantar, com forte disposição pela liberação ampla e geral ao capital estrangeiro sem se conhecer quais são as contrapartidas e como os interesses dos brasileiros serão tratados.

No caso do Amazonas e, em parte, da Amazônia Ocidental, o governo, via o Ministério da Economia, a soma das decisões tomadas tem graves implicações: aumenta o clima de incerteza, o desemprego, a informalidade como meio de trabalho, as mazelas sociais e a violência em vários aspectos.

 O Estado e a região são mais uma vez submetidos a um sistema que trabalha com o atraso e, ao mesmo tempo, os pune por esse subdesenvolvimento. Este é, de novo, um momento para que governos do Estado, dos municípios, líderes empresariais e de organizações de trabalhadores, e os representantes no Legislativo façam uma frente capaz de demonstrar o tamanho do estrago provocado pelas decisões governamentais.


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