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Editorial

E quanto ao pós-tragédia?

28/12/2016 às 21:00
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As tragédias servem para que? Se esse questionamento for levado a sério tanto pela administração pública de Manaus quanto pela sociedade organizada, as instituições, como o Ministério Público, e a população será possível que a cidade ofereça respostas com força de sair do lugar de contemplação e inércia diante das tragédias.

A que ora atinge Manaus é parte das situações de ameaça anunciadas e concretizadas. Dessa vez foram quatro mortes e prejuízos materiais somados ao desespero de dezenas de famílias. Passado o luto, o que irá ocorrer? Aguardar-se-á outra chuva intensa para se assistir outras tragédias?

O que é possível e deve ser feito continuamente a fim de impedir ou diminuir ao mínimo as possibilidades de novas ocorrências dessa natureza? Como gestores públicos e a população têm que atuar para assegurar margens de segurança à vida dos moradores? Por que as áreas de risco continuam sendo ocupadas como se fossem regiões livres para construção de moradias ou de negócios comerciais? Como as relações de compadrio da política exercida por administradores e parlamentares revelam-se letais nesses casos?

O que se aguarda no pós-tragédia é a tomada de posição dos agentes públicos e dos  setores de representação social para tirar a cidade do mapa de mortes anunciadas e ignoradas. Igarapés revitalizados ou não continuam sendo entupidos de lixo de toda espécie que são lançados por moradores e comerciantes como se fosse ato normal; bueiros sem tampa e entupidos foram transformados em lixeiras a céu aberto na maioria dos bairros de Manaus. Até quando será essa a relação?

Há conhecimento acumulado para ser bem usado e mobilizar as pessoas da cidade no sentido de protagonizarem outra postura em defesa da própria vida delas. Se os mecanismos utilizados não funcionam que sejam adotados outros e testados a eficiência dos mesmos. É preciso que a administração pública considere essa situação como muito séria e a transforme em prioridade e que a população seja incentivada a perceber e compreender que o lixo lançado nas ruas, nos bueiros e nos igarapés irá, em algum momento, explodir como bombas de forte poder destrutivo. O descompromisso ampliado, como se constata hoje, assinala mais problemas, mais sofrimento e mais tragédias. O que é cruel é saber que, nesses casos, tudo isso poderia ser evitado.