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Editorial

É só o começo, não um fim

11/04/2017 às 20:53
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A delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht e outros 77 executivos do grupo baiano já foi classificada pelo ex-presidente José Sarney como sendo um tiro de metralhadora ponto 100 dado ao potencial de estragos na seara política que ele, e seus colegas, fariam na reputação dos maiores próceres da República.

E Marcelo Odebrecht e os seus não decepcionaram, conforme podemos avaliar da lista de denunciados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Facchin, que herdou a relatoria da operação Lava Jato desde a morte do ex-ministro Teori Zavascki em um acidente aéreo em fevereiro.

O número de denunciados é robusto e os cargos que ocupam dão uma boa mostra do poder que cada um detém ou detinha. São nove ministros de Estado do governo do presidente Michel Temer, 29 senadores da República, quase um terço do total de 81 senadadores; e mais 42 deputados federais. Além deles, Facchin também atendeu ao pedido de abertura de inquérito contra  um ministro do Tribunal de Contas da União, três governadores de Estado e  24  políticos e autoridades que não têm prerrogativa por função, o chamado foro privilegiado, mas que estão ligados aos fatos criminosos narrados na denúncia do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

Alguns detalhes saltam aos olhos na agora chamada lista de Facchin. O primeiro por ausência, pois o próprio  Michel Temer não está denunciado porque um Presidente da República só pode responder por supostos crimes cometidos no exercício do mandato. As “traficâncias” feitas por Temer em favor de Marcelo Odebrecht não foram cometidas agora, mas antes dele ser presidente e, portanto, não pode responder a inquérito no Supremo Tribunal.

Outra é a quantidade de parlamentares amazonenses envolvidos: os três senadores, dois deles ex-governadores, um deputado federal e um presidente de partido no Amazonas. Todos já invocaram a presunção de inocência, mas politicamente vão ter de conviver com o estrago político causado pela abertura de inquéritos.

No fim, a lista trazida a lume tem a vantagem de descortinar quem é quem e acabar com as especulações tão danosas ao convívio político. Agora, todos terão o direito de se defender e apresentar provas que serão julgadas em um tribunal livre. É só um começo, não um fim.