Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

Economia criativa em movimento


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22/02/2020 às 18:24

O Carnaval brasileiro carrega uma série de iniciativas valiosas para o País. No geral, movimenta a economia, abre milhares de postos de trabalho e incrementa a renda familiar. A festa, feita da diversidade, das grandes e pequenas escolas, blocos foliões, trios, bailes em salões e uma infinidade de iniciativas que envolvem familiares, amigos, coletivos dos movimentos sociais, está caracterizada pela criatividade e a alegria mobilizadoras de inúmeras possibilidades boas para o Brasil.

Há sim desvios de conduta e atos de violência no Carnaval que devem ser reprimidos e banidos a cada edição da folia. Estes são numericamente menor em relação aos que se deslocam entre as cidades brasileiras e nas próprias cidades com finalidade de ser parte da brincadeira. Nela estão ativamente presentes setores de serviços que movimentam milhões de reais principalmente a partir dos pequenos e micro negócios.

Em um país onde 12 milhões de pessoas estão desempregadas e mais de 30 milhões atuam na informalidade, o Carnaval deve ser recepcionado como uma chance de enfrentamento a tais dificuldades e o é pela cultura. Este espaço sob ataque pode ser protagonista de outra história se visto com responsabilidade pelos gestores governamentais que tentam encaixotá-lo num viés conservador e inibidor de iniciativas populares, notadamente das juventudes e das mulheres. A economia criativa, no Brasil, ainda está sob o guarda-chuva da asfixia, teve pouca oportunidade se mostrar e revelar a potencialidade que carrega e como poderá ser resposta saudável à economia nacional. 

Mesmo assim, apeado, o segmento representava aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017; 7% do total de empregos em 2019. São mais de 30 milhões de empregos em todo o mundo, de acordo com levantamento de 2018 e a tendência é de crescimento, se incentivada. Ocorre que esses números na maioria deles são resultados mais da insistência das pessoas em superar criativamente as dificuldades do que de uma política de incentivo.

E, nessa área, o potencial criativo é infindável, quer na gestão das inovações tecnológicas, na reelaboração de receitas caseiras de alimentos, na construção de espaços para novas convivências ou retomando ambientes antigos de sociabilidades, nas grandes festas nacionais/regionais. A participação das mulheres nesse campo é igualmente expressiva e, se vista com cuidado, indica um caminho de enfrentamento a uma série de carências e de violência porque produz encontros, descobertas, e novos diálogos que geram renda familiar.

Foto: Sandro Pereira


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