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Editorial

Educação ambiental

05/06/2016 às 20:05
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Uma capital encravada no meio da Amazônia, banhada pela maior bacia hidrográfica do mundo, cortada por igarapés completamente poluídos, com órgãos ambientais que fazem vista grossa para as agressões ambientais provocadas, inclusive, por empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Para completar, uma população que não vê nenhum problema na indústria da invasão, que destrói áreas verdes sem a menor cerimônia. Essa é Manaus, a cidade que herdou um dos maiores passivos ambientais do País ao concentrar na capital o maior centro industrial do Norte.

O cenário não é dos melhores e segue a mesma dinâmica há muitas décadas. Do alto, as imagens de satélite revelam Manaus como uma grande ferida em meio ao verde da floresta. Felizmente, tem jeito para isso, o único caminho possível: educação. A melhor saída para praticamente todos os problemas do País. De qualquer país. É uma solução lenta, mas com resultados assegurados. Diversas experiências pelo mundo comprovam que o desenvolvimento pode ocorrer com respeito ao meio ambiente. É claro que, para isso a cidade teria que ser remodelada para dar lugar a projetos sérios de arborização, praças e áreas verdes, além da recuperação dos igarapés e da orla de Manaus. A cidade poderia ser um exemplo de comprometimento ambiental para o mundo.

Algo assim seria uma revolução, que não ocorre da noite para o dia. É preciso uma classe política comprometida, governantes conscientes e, principalmente, população engajada. Só com educação, com inclusão da problemática ambiental nos currículos escolares, será possível contar com essas condições dentro de uma ou duas décadas. Felizmente, não estamos na estaca zero. Há algumas boas iniciativas que já começam a fazer a diferença. Parabéns à Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que, com a Escola do Meio Ambiente, forma professores e ajuda na formação de estudantes do ensino básico da rede estadual. No interior, produtores de café em Apuí conseguem ótimos resultados sem uso de produtos químicos e por meio de sistemas agroflorestais. São iniciativas importantes que merecem todo apoio.

É preciso que o Parlamento também faça sua parte. Em vez de  projetos de lei propondo cerceamento de debates em sala de aula, poderíamos ter projetos favorecendo a educação ambiental entre os estudantes. Só isso já seria de grande ajuda.