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Editorial

Educação e Saúde como reféns

13/09/2017 às 23:03 - Atualizado em 14/09/2017 às 09:13
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Os professores no Amazonas e na maioria dos Estados brasileiros é uma das categorias sobre a qual recai de forma pesada os efeitos da manipulação política em combinação entre os poderes executivo e legislativo com suporte de líderes partidários da rede de apoio a governos nos três níveis.

Enquanto a repetição do discurso “educação e saúde são prioridades” em todos os governos prossegue, os trabalhadores dessas duas áreas veem escapar direitos e deteriorar-se vertiginosamente. Medidas governamentais submetem esses profissionais a situação de dificuldade para que possam acessar ferramentas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades.

Sem ignorar que há profissionais distantes daquilo que rege as duas carreiras, a maioria cumpre com suas responsabilidades e vai além para superar diariamente condições precarizadas de trabalho. Professores e trabalhadores da saúde lidam no cotidiano com a explosão da violência urbana na sala de aula e nos centro de atendimento médico. São cobrados a oferecer respostas rápidas aos cidadãos desesperados porque o filho é um problema em casa ou porque pessoas da família em busca de atenção médica, angustiadas, almejam obter o tratamento que possa resolver os sofrimentos causados pelas doenças e por acidentes. Trabalhadores da educação e da saúde são os que estão na linha de frente dos atendimentos públicos enquanto governantes e parlamentares deliberam sobre as regras de como esses profissionais devem viver e atuar.

A questão do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é um dos exemplos da manipulação realizada. No âmbito do município, o que os professores querem saber é o que foi feito com os R$ 109 milhões do Fundeb. Como o recurso foi utilizado? É um direito dos professores e da sociedade; e é dever do gestor público reafirmado pela ‘Lei da Transparência’ que tem sido colocada em segundo plano. A busca da informação pública permanece como uma das batalhas dos cidadãos quando já deveria ser conduta natural no exercício de função pública e regra inegociável das instituições públicas.

A cobrança do que é devido, como o é o caso Fundeb, passa a ser cabo de guerra entre professores e gestores públicos numa completa inversão das coisas para contemplar interesses de terceiros organizados nos grupos de poder que atuam nas engrenagens da administração pública.