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Editorial

Educação no Brasil necessita ser tratada com maior atenção e responsabilidade

17/09/2016 às 15:04 - Atualizado em 17/09/2016 às 15:04
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Dados divulgados ao longo da semana mostram o quanto a Educação no Brasil necessita ser tratada com maior atenção e mais determinação. Para além dos slogans que indicam a intenção, o setor reclama atitude. Relatório da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) coloca o Brasil entre os países com a taxa mais elevada de jovens fora da escola, estimada em 75%.

São 41 países participantes da pesquisa. O detalhamento do estudo possibilita reunir outros elementos que se levados a sério irão ajudar na concepção de ações que mudem o quadro. O efeito da batizada “geração nem-nem” – os que não trabalham nem estudam – é um deles. Vinte por cento desse segmento da população (entre 15 e 29 anos) vivem nessa condição. É uma fatia muito expressiva.

O documento da OCDE revela que professores brasileiros têm jornada de trabalho muito acima da média dos outros países e salários bem abaixo. A mistura produz um resultado ruim: professores cansados, estressados, desestimulados e ensino precarizado.

Na audiência realizada na Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara dos Deputados sobre o direito à educação no campo, foi apresentado um outro dado profundamente crítico. São 40 mil escolas fechadas no campo. Das que estão em funcionamento somente 15% têm acesso à Internet. A maioria delas, de acordo com o Fórum Nacional de Educação do Campo, se encontra em situação precarizada.

Na audiência, um dos aspectos colocado para que providências no âmbito do Congresso Nacional sejam tomadas, é o da municipalização da educação tratada na forma como está. As escolas de campo, normalmente com um número de estudantes menor que as outras escolas, são ignoradas pela política de educação municipal brasileira. O financiamento por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) tem por base o número de estudantes na escola o que afeta de forma perversa as especificidades de escolas como, por exemplo, a de campo.

Seja na cidade ou no campo, a educação enfrenta problemas sérios. Há avanços e esses devem ser visibilizados e espalhados como boa nova porque não se trata de uma história de versão única, a do fracasso. Vitórias importantes estão acontecendo, todas elas fruto das lutas permanentes e longas de professores e estudantes. Mas há um quadro  ruim que persiste e pede seriedade, responsabilidade e continuidade. Também aponta para a urgência de conhecer, antes das decisões de pacotes, as singularidades que o Brasil abriga.

Foto: Bruno Kelly/Arquivo A Crítica