Domingo, 21 de Julho de 2019
Editorial

Educação para mudar a realidade


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07/07/2019 às 08:36

Os igarapés de Manaus, sobretudo nesse período de nível elevado das águas, são tristes exemplos de má gestão ambiental. São toneladas e mais toneladas de lixo doméstico cobrindo grande parte da superfície líquida, causando mau cheiro e favorecendo a propagação de doenças. Como sempre acontece, máquinas a serviço da Prefeitura trabalham na retirada de lixo e limpeza dos igarapés, apenas para que voltem a ser novamente poluídos pela própria população. A atividade de retirar os entulhos dos igarapés é necessária, mas se ocorre sem um trabalho profundo de conscientização ambiental, é como “enxugar gelo”. Isso sem falar nos milhões de reais desperdiçados anualmente pelo Poder Público na limpeza dos cursos d’água que cortam a capital. Nos últimos seis anos, já foram mais de R$ 70 milhões. É  dinheiro indo pelo ralo.

É preciso investir urgentemente em ações para mudança de mentalidade, um trabalho duríssimo que não terá resultados da noite para o dia, mas que precisa começar. O ideal seria que essa percepção fosse adquirida em casa, mas se não é o que acontece, desde o momento em que colocam os pés na escola, as crianças precisam ser ensinadas sobre os grandes benefícios de jogar o lixo no lixo, nunca na rua, no igarapé, no rio ou em qualquer outro local não apropriado. É uma questão de educação que precisa entrar na cabeça das crianças para que se tornem adultos responsáveis.

As ações de conscientização devem ter foco especial nas populações que vivem à beira dos igarapés e que já banalizaram a prática de descartar nas águas o lixo que produzem. Por outro lado, cabe ao Poder Público oferecer alternativas adequadas de descarte a essas famílias. Muitas vivem em locais onde a coleta de lixo simplesmente não chega porque a entrada do caminhão é impossível e os garis não se arriscam nas pontes improvisadas. Um sistema específico de coleta precisa ser desenvolvido para essas comunidades, talvez com coletores localizados em pontos estratégicos e acessíveis aos garis e à comunidade.

Mudar a triste realidade atual não é tarefa fácil, é missão para muitos anos com aplicação de um plano inteligente. Infelizmente, essa não parece ser a preocupação da Prefeitura, que continua no trabalho inútil de enxugar gelo.


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