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Editorial

Elas merecem mais do que flores

07/03/2018 às 21:49
Show mulher

As mulheres estudam mais e trabalham mais que os homens. Porém, ainda ganham menos. Dados do IBGE mostram que a diferença é grande: 25% em média. A disparidade de salários entre homens e mulheres não é uma exclusividade do Brasil, é um fenômeno mundial que se mantém há muito tempo. Na União Europeia, por exemplo, as mulheres recebem 16,2% menos do que os homens. Há países em que a diferença não tão grande e vem caindo, como a Romênia, onde as mulheres recebem 5,2% a menos, porém, ainda não há uma nação onde homens e mulheres tenham salários equivalentes, onde o salário nada tenha a ver com gênero, mas com qualificação, talento e competência.

O preconceito em relação à mulher é inegável e é, em parte, resultado de um processo histórico relativamente recente. Até o início do século passado, não se admitia que mulheres trabalhassem; elas eram educadas para serem boas mães e donas de casa. As convenções da época colocavam o homem como provedor da família. Esse cenário vem mudando pouco a pouco - houve um salto a partir da década de 1970 - mas a mulher ainda está longe de ocupar na sociedade o papel que pode e precisa ocupar. Isso quando se fala especificamente do Brasil. Em nível internacional, ainda existem as sociedades onde a mulher permanece no papel de subserviência, muitas vezes com base em tradições religiosas extremamente arraigadas.

Voltando ao Brasil, no caso da remuneração, a pesquisa do IBGE revela que, com base na qualificação profissional, as mulheres já deveriam estar ganhando mais do que os homens, uma vez que têm, em média, maior escolaridade. Considerando a população com 25 anos ou mais, 23,5% das mulheres já têm curso superior. Entre os homens, o índice é de 20%.

A disparidade é ainda mais acentuada na esfera política. Apesar da existência de cota mínima (30%) estabelecida pela Lei 12.034/2017, as mulheres são apenas 10,5% dos deputados federais em exercício. Esta é a menor proporção da América do Sul, enquanto a média mundial de deputadas é 23,6%. Essas questões precisam ser discutidas amplamente por toda a sociedade. O avanço das mulheres em termos de participação social e garantia de direitos precisa continuar e acelerar. Nesse dia 8 de março, como em todos os dias, mais do que flores, as mulheres precisam de respeito e reconhecimento.