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Editorial

Eleições e merenda escolar banalizada

19/07/2016 às 22:01 - Atualizado em 20/07/2016 às 11:47
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A dois meses das eleições municipais, os temas de relevância para cidade parecem se perder em meio aqueles que são gestados em torno dos pactos político-partidários destinados a atender o pragmatismo político. É lamentável que o ritmo seja mantido nessa direção e mais uma vez questões importantes permaneçam  à margem atrasando a tomada de posição que poderia  fazer Manaus avançar e consolidar avanços.

Um desses temas ignorados ou tratados sem a devida profundidade é o da merenda escolar. Se olhada com mais atenção, essa área poderia se constituir em um espaço  estratégico para melhorar a alimentação de crianças; estimular pequenos grupos de produtores rurais, pescadores, agricultores. Enfim, uma rede familiar e comunitária que produziria para atender a demanda de escolas públicas desde que não fossem lesadas pelos administradores das cidades.

A merenda escolar representa o nível de cuidado e de interesse que a administração pública tem com os estudantes e, por consequência, com os comunitários. Um sistema criativo, regionalmente pensado e incentivado pode funcionar bem a partir da merenda escolar. Os pequenos grupos teriam assegurados e se sentiriam confiantes em produzir, os postos de trabalho estariam ativos e, na outra ponta, estudantes bem alimentados. Outro aspecto dessa conduta seria a prevenção a doenças produzidas pelo consumo de produtos inadequados e que a longo prazo se revelam nocivos à saúde das crianças e  constituem a base de graves problemas à saúde na população jovem e adulta.

A merenda escolar não tem sido tratada de forma responsável e dentro de uma política duradoura. Ainda hoje, em muitas escolas, produtos que já deveriam ter sido retirados da opção de consumo permanecem e, por vezes, em tanta quantidade que se não são distribuídos em larga escala, como bolachas, creme de leite, acabam perdendo a validade. É um dos muito absurdos sobre como o dinheiro público é utilizado e a merenda escolar tratada com descaso.

A forma de tratar esse assunto não está vinculada à dificuldade e sim à falta de uma  ação que  coloque a merenda escolar como política responsável de governo. Não é encarada com a seriedade que deve ter nem entendida com o vigor  que possui. Pelo contrário, acumula problemas sérios porque com frequência é um dos espaços usados para comportamentos improbos. Esse período de preparação às eleições municipais dever-se-ia debater a  merenda escolar que se tem e a que se quer ter.