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Editorial

Eleições e reformas

05/10/2016 às 22:03
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Em meio as negociações de apoio para segundo turno (em 55 cidades das quais 18 capitais), o Governo Federal acelera os acordos para passar propostas cuja repercussão na vida dos brasileiros, notadamente os mais pobres, é enorme. Há poucos dias, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o deputado licenciado Marcos Pereira, cobrou os congressistas para que “assumam seu papel com coragem e apoiem as propostas para o País”.

O pacote de mudanças propostas pelo presidente Michel Temer (PMDB) recebeu elogios da equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e é rechaçado no âmbito interno por diferentes segmentos da sociedade. A estratégia governamental feita em dois pontos anunciar as medidas e recuar nas datas de implementação delas aumenta a instabilidade da vida nacional e a descrença no Governo. Os congressistas, mesmo os mais fiéis ao Governo Temer, reagem diante da insatisfação popular (a maioria é candidata nas eleições de 2018) e da falta de clareza na exposição das medidas.

O PMDB de Temer e o PSDB de Aécio Neves saíram fortalecidos nas disputas municipais de domingo. Conseguiram, se avaliado apenas pela estatística, números robustos para compor cenários e comandá-los nos processos eleitorais envolvendo Presidência da República, Congresso Nacional, Governos Estaduais e Assembleias Legislativas. Esses números não caminham sozinhos e são facilmente atingidos pela reação do eleitorado, um campo difícil de pré-dizer.  Temer avança em impopularidade o que torna mais complicada a situação do governo de governar. Como ele mesmo testou na condição de vice-presidente, os aliados são fugidios.

As reformas propostas pelo Governo Federal são bombas prestes a estourar se colocadas no trilho da forma como a equipe Temer tem feito. Algumas delas: Trabalhista, co flexibilização da jornada de trabalho e terceirização; da Previdência Social; do Ensino; Congelamento dos editais para servidores públicos. A tentativa feita de adiar para 2018 o início das mudanças nas áreas da educação e da saúde não obteve resultado desejado pelo governo. Ao contrário, as representações de trabalhadores, os coletivos de pesquisadores e setores cada vez mais amplos da sociedade demonstram descontentamento e rejeição ao pacote de Temer. As investidas e negociações com o Congresso Nacional podem até garantir a aprovação de algumas dessas propostas, mas a condução obscura e no estilo de cima para baixo atacam duramente os procedimentos de um possível entendimento entre governo, legisladores e sociedade.