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Editorial

Eleitor ignora o seu poder

07/08/2017 às 22:43
Show eleitor

O resultado do primeiro turno na eleição suplementar do Amazonas mostrou que uma parcela significativa do eleitorado amazonense não está nem um pouco preocupado com os rumos da política local. O número de votos do candidato mais votado não supera a quantidade de eleitores que preferiram ficar em casa, anular o voto ou votar em branco. Mais de 40% dos eleitores do Estado compartilham dessa descrença na política. Mas são quase 850 mil eleitores. Votos suficientes para fazer com que qualquer dos candidatos menos votados saísse vitorioso do pleito. Os desesperançados não percebem, mas têm força para decidir a eleição. Como preferiram não participar, venceram os políticos conhecidos de sempre. É claro que ainda podem resolver fazer uso desse poder no segundo turno. 

Esse desinteresse é algo muito grave, pois revela um sentimento muito disseminado de que, independentemente de quem for eleito, o panorama político do Estado continuará o mesmo. Quem pode culpá-los, quando os candidatos habilitados ao pleito são praticamente os mesmos das últimas eleições realizadas no Estado, apenas em composições levemente diferentes?

O problema é que essa  descrença e opção por não participar do processo eleitoral em nada contribui para a almejada renovação política. O eleitor precisa exercer o direito do voto, e não apenas isso, mas participar da vida política de uma forma efetiva. Um dever de todo cidadão deveria ser acompanhar o desempenho do político que o representa, independentemente de ter votado nele ou não. Se a postura do político não está de acordo com o que o eleitor espera, não há motivo para continuar votando nessa pessoa. 

Infelizmente, o eleitor tem votado usando critérios equivocados. Essa situação faz lembrar uma frase de Max Nunes, humorista de sucesso na década de 1950: 
“O eleitor, obrigatoriamente, tem que ser qualificado. O candidato, não”. Isso porque o encargo que recai sobre o eleitor é muito grande. E se o cenário político atual é desanimador, o cidadão precisa ter a consciência de que a responsabilidade por isso é de todos e de cada um que escolheram esses representantes. Lavar as mãos, tentar eximir-se dessa obrigação, não muda 
esse fato.