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Editorial

Eleitores e a honestidade

18/01/2018 às 21:33
Show urna 123

A honestidade é motivo preponderante para 72% dos eleitores brasileiros decidirem sobre o destino de seus votos. É o que revela pesquisa divulgada pelo Idea Big DataInstitute, vinculado ao Wilson Center, realizada no período de 9 a 13 de janeiro, em 37 cidades brasileiras, e que ouviu 5.003 pessoas.

O dado remete a outras análises, qual é a noção de honestidade que o brasileiro tem? Por que são eleitos tantos candidatos com fichas no mínimo manchadas sinalizadoras de que o mandato conquistado será utilizado para outros fins poucos honestos? O que realmente move a decisão do eleitor diante dos candidatos?

Se existe no universo de mais de 5 mil eleitores a disposição elevada de votar em candidatos honestos, onde e como obter informações de acesso facilitado sobre a conduta daqueles que se apresentam para representar a população? O discurso, antigo e repetitivo, da honestidade que os candidatos fazem tem efeito positivo na formação de audiência do eleitor?

Tratar com atenção maior os indicadores desta e de outras pesquisas que irão ser feitas é um caminho importante para os setores e segmentos sociais interessados em ações que promovam a melhoria da representação parlamentar e do executivo. O Brasil viverá este ano eleições quase gerais e enquanto os eleitores tentam resolver outras demandas para sobreviver, pré-candidatos já estão em plena articulação e elaboração de seus discursos. Não até a presente data nenhuma mudança de postura no meio político, é como se todas as denúncias e fatos registrados de corrupção envolvendo o Legislativo e o Executivo não tivessem qualquer importância ou venham a ser tratados como ficção.

O Congresso Nacional, onde senadores e deputados federais produziram e produzem um dos piores espetáculos de negociatas, está em descredito profundo e provoca reações que devem ser consideradas por aquela parcela da Casa que trata a representação política em outra perspectiva.

Pensar e retomar o debate sobre a honestidade na política é uma das possibilidades de abrir espaço e firmar condutas abandonadas por aqueles que se elegem pelo voto popular. As leis, os estatutos, os códigos existem e têm conteúdos corretos. Mas, na prática o abuso de poder, a certeza ainda vigente de impunidade e a voracidade de acumular indevidamente recursos financeiros e bens dão o norte da atuação parlamentar e executiva. É essa estrutura que precisa ser rompida.