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Editorial

Eleitores podem construir saídas novas

05/08/2017 às 18:59
Show confirma

Os eleitores amazonenses irão às urnas neste domingo em circunstância adversa, eleger um governador para cumprir mandato tampão.  Não há alegria nem tristeza em demasia nesta eleição que se tornou possível em função da cassação do mandato do governador eleito em 2014, José Melo, por denúncia de compra de voto.

Em alguma medida, a perda de mandato no executivo e no legislativo em função de condutas inadequadas é indicador de que o sistema de Justiça funciona e os aparatados de fiscalização e punição estão funcionando. Este é motivo de alegria, ver os instrumentos institucionais funcionando e punindo dentro da legalidade os que passam por cima da conduta legal. A tristeza é perceber que a perda de mandatos não arrefece a voracidade  dos corruptores e dos que se deixam corromper; e constatar que os mesmos  motivos que levaram o governador a perder o mandato  permanecem.

As relações promíscuas entre os poderes ora escancarada à sociedade brasileira não foram eliminadas em função de punições de agentes públicos e vão se confirmando como modelo mais recorrente.  Mudar é necessidade urgente. O negócio da política faz o Brasil agonizar e enraíza um tipo de cultura que afeta duramente os jovens. Uma parcela se distancia da política por entendê-la como expressão de sujeira.  Outra se divide em ingressar na política percebendo-a como campo para ganhar dinheiro, para se dar bem na vida, enquanto  outros tentam agir para mostrar  alternativas que possibilitem uma nova prática política.

Mas a eleição deste domingo cumpre uma função da legalidade, garantir que o Amazonas tenha um governador eleito, diretamente pelos eleitores, para completar o mandato interrompido. Apesar de todos os atropelos que marcaram a decisão desta eleição, ela se confirma e traz possibilidade de reatar elos entre os eleitores e eleito na perspectiva de que os interesses da população contem e possam ser levados a sério. É um período curto de mandato que precisa ser considerado como tal. E principalmente que a pessoa eleita em primeiro ou segundo turno destrave o governo e reduza a instabilidade a que foi submetida a população.  Que o eleitor não encerre sua tarefa com o voto, mas passe a acompanhar as ações do eleito, peça explicação e exija respostas esclarecedoras. É o eleitor e a  população que podem construir saídas melhores.