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Editorial

Eletrobras: privatização

19/07/2018 às 21:04
Show eletrobras

A liminar que impedia o leilão da Eletrobras marcado para este mês é mais um capítulo na tortuosa novela da privatização da estatal. A decisão judicial, por si só, não garante a realização do leilão; apenas retira, pelo menos por enquanto, óbices legais.

Outros fatores devem ser considerados, como a indisposição de muitos  deputados e senadores em tocar em frente um projeto tão impopular em ano eleitoral. Além disso, há vários aspectos dúbios no projeto que precisam ser muito bem esclarecidos. Um deles é que não houve uma avaliação técnica para determinar o valor da estatal, que é a segunda maior do País. O governo, a grosso modo, "pediu mesa", à espera dos apostadores. Resta saber quem terá interesse em uma empresa sem valor determinado, com capital bilionário e dívidas igualmente bilionárias e não equalizadas.

O patrimônio da Eletrobras em dezembro de 2017 valia aproximadamente R$ 45 bilhões. Mas o que o governo quer vender é a "fatia podre", as seis  subsidiárias do Norte e Nordeste que são deficitárias, geram um déficit mensal de R$ XX milhões. Desse ponto de vista, as tais subsidiárias, entre elas a Amazonas Energia, são um estorvo para o governo, que busca empurrá-las para a iniciativa privada o quanto antes. É uma sinuca de bico: se o governo conseguir compradores interessados em assumir as subsidiárias, será preciso muita atenção no modelo de negócio que será adotado e no tratamento que será dado às regiões mais pobres do Brasil, principalmente ao interior da Amazônia, onde a baixa densidade demográfica e a logística supercomplexa torna o abastecimento um enorme desafio. Os novos controladores teriam que encontrar uma forma de garantir o serviço e ainda torná-la lucrativo. Algo que o governo não foi capaz de fazer, construindo um modelo baseado em subsídios que já se mostra insustentável.

A situação atual da Eletrobras, especialmente das subsidiárias é resultado de um processo histórico em que a estatal não foi tratada como uma empresa deve ser. Assim como todas as demais estatais brasileiras, a Eletrobras foi usada como cabide de empregos, sem uma gestão profissional voltada para resultados, sem deixar de lado o aspecto social. Com isso temos aí seis subsidiárias gerando prejuízos que o governo tenta evitar por meio da venda. Seria está a solução? Não seria melhor buscar alternativas? Essas perguntas serão respondidas nos próximos capítulos.