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Editorial

Em oito anos, Brasil assumirá a 6ª posição de país com maior população de idosos

01/10/2017 às 21:19 - Atualizado em 01/10/2017 às 21:23
Show show idosos

Em oito anos, o Brasil assumirá a sexta posição de país com maior população de idosos. Serão 64 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos das quais 19 milhões com 80 ou mais anos. Os números constam de projeção feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o envelhecimento humano, e em âmbito nacional, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As estatísticas poderiam carregar sentimento de alegria e de êxito com a conquista da longevidade. A elas juntam-se indicadores que demonstram o quanto o Brasil ainda maltrata essa população. Vige uma distância enorme entre o que dispõe o Estatuto da Pessoa Idosa (promulgado no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de outubro de 2003) e a realidade dos idosos. A grande maioria não é contemplada por uma política governamental que assegure seus direitos e a dimensão pública da ação política sofre barreiras de todas as ordens dentro das estruturas de poder para se tornar de fato política pública.

O dia internacional do idoso, em 1º de outubro, é data para chamar a atenção dos governos, das sociedades e dos setores produtivos sobre a condição dos velhos no mundo e neste País. São eles que compõem uma parcela generosa da população vitimizada pelas guerras, conflitos e avanço da pobreza. No caso brasileiro, os que conquistaram benefícios como aposentadoria ou outro tipo de auxílio assumiram, na maioria dos casos, a responsabilidade de sustentar as famílias, por vezes, sem condiçõesfinanceira de adquirir seus medicamentos de uso permanente e preços elevados. Neste momento, os que eram beneficiados com programas sociais, como as farmácias populares, sofrem com a desestruturação e o encolhimento dessas iniciativas.

A maioria das cidades brasileiras não possui estrutura capaz de contemplar com dignidade as necessidades das pessoas idosas. Faltam calçadas, sinalização adequada, serviço de transporte público que os inclua, lugares públicos seguros para que possam viver suas sociabilidades; vigilância que amplie mecanismos de prevenção à violência contra a pessoa idosa. Não há uma cultura de acolhimento do idoso e, passa por ela, o principal aspecto da construção de uma política pública à população a partir dos 60 anos, recepcionando-a com respeito, dignidade e cumprimento dos direitos. Há uma política marcada pelo abandono, exploração e violação de idosos.