Publicidade
Editorial

Ensino público

23/04/2016 às 20:11
Show jklkljl

O ensino público não é uma história de fracasso. Em meio aos números ruins mais explicitados existem relatos de sucesso e que demonstram o tamanho do efeito positivo para as famílias daqueles estudantes que superaram dificuldades de várias ordens e obtiveram êxito em escolas públicas. Neste domingo (24), A Crítica publica algumas dessas histórias.

São estudantes pobres, alguns vindos de outros países em condições de precariedade em busca de alternativa de vida, outros são amazonenses e têm em comum os obstáculos para alcançar a escola e nela obter conhecimento que lhes garantisse enfrentar bem os concursos para ingressar numa universidade. Os números do último Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), quando analisados mostram uma fatia expressiva de estudantes oriundos de escolas públicas aprovados nesse exame. São 1.756 alunos aprovados, o que corresponde a 73,6% das vagas.

Essa resposta reforça a importância do sistema público de ensino e de assegurar investimento nele. É nessa esfera que a maioria das crianças, adolescentes e jovens tem a chance da educação e, por meio dela, reunir instrumentos que lhe possibilite fazer escolhas autônomas e ter condições de participar de um processo de formação contínuo. Essas histórias animam, renovam a esperança e a luta de um conjunto de profissionais (professores, técnico-administrativos) e dos estudantes por melhores condições para a área da Educação Pública. São forças vivas que ao lado da tarefa cotidiana de ensinar desenvolvem as ações de vigilância e de reivindicações para que o setor tenha mais atenção e esteja, de fato, no centro das decisões governamentais.

Sabe-se que as disputas políticas de várias ordens impactam negativamente na Educação e que com recorrência a área é tratada coo espaço de negócios privados gerando prejuízos cuja reparação levará muitos anos para ser feita. Os governos não têm dado o valor que a Educação Pública merece ter. Ainda que ela esteja presente nos discursos, na prática, a determinação para priorizá-la é pequena. Que as histórias reveladas hoje possam provocar outro comportamento reforçando, por parte dos gestores, as ações pela educação pública de qualidade e que um número cada vez maior de estudantes vindos das camadas mais necessitadas possa ter a chance assegurada de construir a sua história de êxito.