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Editorial

Entre a gastança e o arrocho salarial

10/11/2017 às 21:31
Show cut 123

O lançamento do Programa Avançar do Governo Federal, na tarde de ontem, pelo presidente Michel Temer produz mesmo antes de  existir mais controvérsias governamentais e deixa perplexo setores da sociedade. Ao mesmo tempo em que reforça encontros festivos com parlamentares para angariar apoio pessoal e aprovar matérias no Congresso Nacional para enfrentar a gastança da verba pública, Temer anuncia a utilização de R$ 130,9 bilhões para destravar 7,4 mil obras.

Os recursos deverão sair do Orçamento Geral da União, da Caixa Econômica Federal, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), DO Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e de estatais como a Petrobras. O paradoxo é: como justificar a urgência da reforma da Previdência em modelo que irá causar prejuízos a maioria dos brasileiros; como justificar o achatamento salarial e o veto a progressões de servidores públicos por conta da crise econômica se o governo não para de gastar.

A parlamentares oferece escancaradamente benefícios de várias ordens inclusive com o festival de atendimento aos pedidos de deputados e senadores que cobram pelos votos dados. A sensação deixada é que há dinheiro nos cofres do Governo para bancar esse tipo de acordo político e muito mais. Logo as medidas encaminhadas que retiram direitos e impedem a melhoria dos salários e das condições de trabalho não se justificam a não ser pelo fato de apenar os trabalhadores e poupar setores que mantêm dívidas altas com o Governo Federal, mas não são incomodadas pelo governo.

A paralisação nacional desta sexta-feira é fruto de insatisfação popular crescente a conduta do governo de Temer. O Avançar, o outro nome do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aparece nesse contexto como manobra muito forçada para tentar melhorar a popularidade do presidente da República que está muito afetada. Poderá vir a se constituir em novo engano empurrando para trás ou impedindo de agir aquilo que de fato deveria avançar em todo o País que é o desenvolvimento socioeconômico dos brasileiros. Essa demanda envolve saúde e educação setores que são atacados e têm sua dimensão pública reduzida diante da presença cada vez maior da iniciativa privada. Quem não puder pagar estará fora.