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Editorial

Entre a paixão e a realidade

16/06/2018 às 13:54 - Atualizado em 16/06/2018 às 15:37
Show r ssia

Pesquisa nacional do Instituto Datafolha mostra às vésperas da estreia do Brasil na Copa, neste domingo, alta margem de desinteresse dos brasileiros em relação a essa competição – 53%. No levantamento, aparecem os sintomas de uma população afetada pela crise que se abateu no País envolvendo em efeito bomba corrupção, escalada do desemprego (aproximadamente 14 milhões de desempregados), avanço de doenças que estavam controladas, redução de investimentos em áreas sociais, atos de violência em série com elevação dos registros de assassinatos de mulheres e de jovens.

Torcedor com alta carga de emoção, o brasileiro vive hoje o dilema da paixão pela seleção brasileira e a realidade dolorida para a maioria da população. O resultado do que irá acontecer daqui a pouco, se vitória ou derrota da equipe de Tite tende a funcionar como a fagulha que irá aquecer a paixão dos torcedores. É difícil mensurar, nesse momento, como o cidadão lida com os dois acontecimentos, a Copa do Mundo na qual a seleção brasileira chega com margem de respeito pela campanha feita, mas ainda carregando o peso do tipo de derrota sofrida na última disputa, e a realidade do País.

Em Manaus muitos começam a pintar a partir de hoje os espaços para demarcar e declarar o amor à seleção canarinho. Sem dinheiro, usam a criatividade e parcerias visando conseguir o cenário típico de festa de torcedor em junho, com balões, bolas, bandeirinhas. Há outro componente nessas múltiplas batalhas e conflitos que os brasileiros torcedores travam: enxergar nos jogadores vontade, técnica e habilidade para vencer. Por parte dos torcedores fica a cobrança de que a equipe faça bem a sua parte nessa disputa, e que insira o Brasil como parte importante de suas lutas.

Os brasileiros estão gradativamente aprendendo que ir à Copa do Mundo com uma seleção respeitada é muito bom, ser campeão mundial melhor ainda, mas essa já não poder ser o único objetivo. Quanto menor for a distância entre o “torcer” pela seleção brasileira e o comprometer-se com as lutas do povo brasileiro, maiores serão as chances de realizar gols por educação e saúde públicas de qualidade, exercício político-partidário, governos e judiciários que respeitem as regras constitucionais e a probidade.