Publicidade
Editorial

Entre os buracos da cidade

01/02/2018 às 21:07
Show buraco 123

Moradores de diferentes bairros estão ‘enfeitando’ os buracos abertos nas ruas. Guarda-chuvas, pedaços de paus e de ferros, bonecos feitos espantalhos são alguns dos adereços que estão sendo utilizados para demarcar os buracos da cidade.

O movimento de sinalização dos buracos vem se tornando uma das formas de protesto contra o abandono das administrações municipais no cuidado da cidade. Ainda que informações e publicidade sejam diariamente repassadas dando conta das operações tapa-buracos e de limpeza, a situação facilmente encontrada na maioria das comunidades é a de acúmulo de lixo, buraqueira e ausência de locais adequados para o depósito e recolhimento dos detritos.

Soma-se a esse quadro o atrasado estágio de recuperação das calçadas e dos meios-fios, de áreas de convivência que promovam clima mais harmônico entre os habitantes. A construção de calçadas está em processo de estagnação e a revitalização do espaço urbano tem sido ação limitada às áreas mais nobres da cidade. O quadro de abandono facilita o aparecimento de doenças e agravamento das condições de moradia dos habitantes de Manaus. Isso implica na necessidade de maior investimento na área de saúde pública, infelizmente não para prevenir e sim tratar das pessoas doentes.

A conduta que marca a administração municipal é de repetir erros e atrasar o tempo de inaugurar acertos e novas práticas. Dentro de poucos meses o tem mais recorrente será os das eleições de outubro e de fazer promessas como foram feitas em eleições mais recentes. Comparar o que foi prometido e o que foi realizado é uma saída para moradores e cidadãos que se sentem cansados das práticas administrativas que ignoram as carências da população.

O abandono das realizações de tarefas públicas na maioria dos bairros se repete. As manifestações feitas por moradores para chamar a atenção do poder público parece que estão sendo igualmente ignoradas.  Nem mesmo a Câmara Municipal se pronuncia no sentido de formar alianças com outros setores na defesa dos interesses das comunidades. Em nome de acordos entre executivo e legislativo, ignorar a realidade de mazela dos bairros passou ser o comportamento mais comum entre os agentes públicos e, principalmente de uma parcela daqueles que periodicamente estão pedindo votos aos eleitores e assumindo compromissos. É pacto da vergonha.