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Editorial

Erros e acertos

24/05/2016 às 21:53
Show temer

Como não poderia deixar de ser, o governo interino de Michel Temer tem sido marcado por altos e baixos. E são apenas 13 dias de gestão. Nesse período tão exíguo houve gafes, manifestações negativas e também acertos. O governo respira aliviado com a boa recepção que as medidas econômicas anunciadas ontem tiveram. Até mesmo detratores, como a Força Sindical - que logo após a aprovação do impeachment de Dilma, revelou-se feroz crítica de Temer - aprovou as medidas anunciadas. 

Estrategicamente, a equipe do presidente deixou para depois uma decisão que é inevitável: o aumento da carga tributária, provavelmente com a recriação da tão odiada CPMF. Nesta primeira etapa, o governo mostrou disposição em reorganizar-se internamente, buscando formas de economizar mexendo na própria estrutura governamental. 

O mercado aprovou, e no momento mais delicado desde que Temer assumiu - há menos de duas semanas - quando veio à tona a gravação da conversa do ex-ministro Romero Jucá, expondo a intenção de frear a operação Lava Jato. Com a exoneração do ministro - e mesmo com a nomeação de um substituto citado em delações premiadas - tudo indica  que o novo governo já superou sua primeira crise. Uma dificuldade que poderia ter sido evitada, se Temer tivesse mostrado pulso diante da indicação dos partidos para ocupação dos ministérios, recusando indicados de qualquer forma relacionados a investigações em andamento. Mas ele cedeu à pressão das legendas - inclusive do PMDB - e já está pagando pelo erro. 

A saída de Jucá, no entanto, não resolve o problema. Paira sobre a cabeça de Temer o permanente risco de que algum outro ministro enrolado com a Justiça cause mais dor de cabeça ao governo. E o que não falta são ministros nessa situação.

As medidas econômicas são um acerto importante que deve ser ratificado pelo Congresso Nacional, demonstrando que a governabilidade foi, finalmente, restabelecida no País, o primeiro indício de que a crise política passou.
Quanto aos ministros problemáticos, resta esperar os desdobramentos das investigações e seus efeitos na Esplanada dos Ministérios, resultado de um erro com o qual Temer terá que conviver.