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Editorial

Espetáculo grotesco

08/01/2018 às 22:39
Show escolas

As cenas de pais ou responsáveis por crianças em idade escolar voltam a se repetir em frente às escolas públicas de Manaus e de outras cidades brasileiras. Em alguns desses locais, os acordos para respeitar a “vaga” do outro não têm funcionado, vira mercado com preço em tabela para quem quer a vaga e não pode ou não deseja passar a noite diante das escolas, e lugar de confronto até com agressão física.

É um espetáculo deprimente que demonstra o quanto o Brasil precisa avançar na área da educação pública. Ao mesmo tempo comprova o quanto regrediu. Os mecanismos de controle da população estudantil participantes da rede pública parecem falidos ou defasados porque não conseguem oferecem respostas adequadas sobre o universo de estudantes e de crianças e adolescentes que a cada ano deveriam ingressar nas escolas. A administração escolar quer em Manaus, nos demais municípios do Amazonas, em Roraima, Rondônia ou noutro Estado revela-se incapaz de produzir mapas que possibilitem agir a partir deles e diminuir ou zerar a fila da vergonha educacional.

Pior. As decisões tomadas mais recentemente tendem, de acordo com especialistas educacionais, a agravar esse cenário provocando mais distúrbios e ampliando o número de crianças e adolescentes fora da escola. Significa dizer que se hoje o quadro é preocupante e reivindica determinação política para superá-lo, amanhã as dificuldades somadas formarão um quadro crítico cuja reversão exigirá muito mais tempo e maior vontade de superar. Não uma superação para produzir avanços necessários e sim sair de um quadro de atraso que não mais deveria existir.

As decisões tomadas estão embrulhadas em pacotes políticos eleitoreiros que empurram para trás os avanços conquistados na educação e em outras áreas e que poderiam significar participação mais qualificada da comunidade na discussão e deliberação das medidas envolvendo as escolas e seus participantes. É criminosa e perversa a utilização dos recursos educacionais, sejam financeiros, técnicos ou de equipamentos, para fins particulares e restritos como está ocorrendo enquanto o número de vagas nas escolas não é ampliado e os responsáveis e familiares com criança em idade escolar são obrigados a cumprir plantões na saga por uma vaga. Os primeiros dias de 2018 marcam o velho drama na relação escola e vaga para estudantes. Até quando as cenas grotescas irão continuar?